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domingo, 3 de novembro de 2013

Massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, em 1937, Crato-CE

Cova coletiva para deposição dos mil mortos no massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, em 1937, Crato-CE. O primeiro registro de bombardeio militar a civis pela FAB no Brasil. Entre ataques aéreos e terrestres pela FAB, Exército e PM do CE a uma comunidade acusada de comunista por apenas produzir e dividir coletivamente algodão, frutas diversas, ferramentas, etc. Os registros oficiais apontam apenas 400 mortos. Muitos foram decapitados ainda vivos. Como os viventes da comunidade usavam preto em luto pela morte de Pe. Cícero Romão Batista (O Padin Ciço) vários outros moradores da Chapada do Araripe tb foram confundidos e mortos, pois até hoje a região conserva a prática do luto em memória do Padre. O beato Zé Lourenço, fundador da comunidade conseguiu escapar junto a um mísero grupo.

Resgate da memória e da história da comunidade religiosa do Caldeirão, liderada pelo beato José Lourenço, que se organizava em moldes comunitários primitivos. Depois de alcançar grande progresso, a comunidade foi destruída pela polícia cearense e pelo bombardeio de aviões, em 1936, deixando mais de 2 mil camponeses mortos. 

ARQUIVO.DOC | Documentário "O Caldeirão do Beato José Lourenço"

 

A obra, produzida e exibida pela primeira vez em 2011, conta a história da comunidade do Caldeirão, fundada em 1926 por José Lourenço, filho de escravos alforriados que se tornou beato e liderou a comunidade por 10 anos.

José Lourenço nasceu na Paraíba em 1872 e foi para Juazeiro do Norte em 1892. Começou a liderar uma missão em Baixa Dantas, localidade para onde Padre Cícero enviava famílias que fugiam da seca na região.

 

Expulsos do sítio de Baixa Dantas no ano de 1926, José Lourenço e a comunidade migraram para o chamado Caldeirão dos Jesuítas, local que ficou conhecido, posteriormente, como o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto.

 

Na comunidade do Caldeirão, José Lourenço abrigava as famílias retirantes, e a produção do local era dividida entre todos os moradores. O Governo Federal, com receio de que a comunidade se tornasse um movimento messiânico, promoveu uma invasão em 1936 e, em 1937, as Forças Armadas bombardearam o local, liquidando de vez a comunidade.


A locução do programa Arquivo.Doc é da jornalista Janaína Gouveia. A direção de fotografia e montagem do Arquivo.Doc é de Vinícius Augusto Bozzo, com edição original de Daniel Cardoso e Ana Célia de Oliveira, responsável pela produção e roteiro. A coordenação e direção dos trabalhos é de ângela Gurgel. O Núcleo de Documentários da TV Assembleia conta ainda com o videomaker Marcelo Alves e com Mariana Bueno, estagiária da UFC.

Assista vídeo: