Desfile Grupo Especial
Carnaval São Paulo 2012 - Sexta-Feira, 18 de fevereiro.
Sábado, 18 de fevereiro
Local:- Sambódromo
Anhembi
00:40 horas -
Mocidade Alegre
"Ojuobá - No Céu, os Olhos do Rei... Na Terra, a Morada
dos Milagres... No Coração, Um Obá Muito Amado!"
Sob a luz do carnaval, o G.R.C.E.S. Mocidade Alegre pede agô
às forças celestiais para mostrar, em forma de poesia, não um resgate, mas sim
a plenitude de seu orgulho de ser descendente da cultura afro-brasileira.
Para tanto mostraremos em desfile, através da obra predileta
de Jorge Amado – Tenda dos Milagres – um viés da tradição dos Ojuobás, os
representantes de Xangô que buscam a justiça na Terra.
Rufem os tambores... Que se cumpra a profecia de Ifá para o
mundo novo: nascer, crescer e se misturar!
Axé, Morada do Samba!
No Céu, os Olhos do Rei...
- Kaô, meu pai... Justiça, meu pai Xangô! Justiça aos teus
filhos, tirados do seio da Mãe África e levados a força para esta terra
distante!
Olhando para o céu, com a fé ardente de quem conhece o axé,
assim clamou um Ojuobá – os “Olhos do Rei”, evocando Xangô... Orixá da
justiça... Senhor do fogo... Rei dos raios e dos trovões... Guardião da
verdade!
- Venha, meu pai... Venha olhar por teus filhos, feitos
escravos e sedentos da tua justiça e da tua verdade!
Num gesto de amor e proteção ao seu povo, Xangô apontou seu
oxé em direção a uma terra virtuosa e selvagem, faceira e promissora, repousada
do outro lado do mar de Yemanjá, a sua mãe. Xangô ordenou paz e liberdade ao
seu povo, o povo negro... Afinal, não poderia haver injustiça... Não nesta terra de todos os deuses, de todos
os santos, de todas as raças...
E assim se fez... Pelas armas de Xangô, finalmente o negro é
livre... Liberdade ao povo do Rei de Oyó!
Bradou orgulhoso e triunfante o Ojuobá, com a força dos
vitoriosos:
Kaô, Xangô...
Kaô, meu pai...
Kaô Kabecile!
Na Terra, a Morada dos Milagres...
Foram-se os grilhões... Ficou o preconceito! De que adianta
a liberdade, sem a igualdade?
Mais uma vez um Ojuobá rende seu clamor a Xangô, pedindo a
igualdade de valor para um povo mestiço, que é resultado de mistura de raças e
de fé, que encontrou no Brasil um braço forte e na Bahia o seu recanto. E, mais
do que nunca, a gente mestiça se vê desejosa de livrar-se das amarras do
preconceito.
E assim, Xangô age em defesa do seu povo ao guiar a mente de
um escritor que fez de sua obra uma grande exaltação a mestiçagem, à tradição
popular e a cultura negra. Seu nome: Jorge Amado!
Em suas obras, Amado nos apresenta uma Bahia de pele morena.
Uma gente que faz das ruas de São Salvador o palco onde desfilam mistérios que
só se encontram naquele pedaço da África no Brasil. De onde vêm esses
mistérios, ninguém sabe. Dos batuques do candomblé? Dos saveiros do cais? Das
igrejas? Do mercado? O literato da alma brasileira recomenda que não se tente
decifrar os segredos da cidade, pois seus mistérios envolvem por completo o
corpo, a alma e o coração dos baianos. Amado nos apresenta uma baianidade
singular e exótica, com docilidade, ritmo, sensualidade, feitiço, afetividade,
capoeira e, claro, o candomblé.
Mas foi cumprindo os desígnios de Xangô, justiceiro do povo
negro e mestiço, que Jorge Amado escreveu aquela que se tornaria sua obra
predileta: Tenda dos Milagres!
Tenda dos Milagres é uma gráfica localizada no Pelourinho,
lugar onde um certo negro, amigo de um Ojuobá, pintava milagres católicos por
encomenda. Porém, o local era também palco de candomblé e da capoeira de
Angola. O livro é um grito pela justiça social e pela igualdade contra o
preconceito racial e religioso. Abriu caminhos e quebrou preconceitos. Tem por
base o orgulho pela miscigenação, responsável pelo surgimento da verdadeira
“cor do Brasil”, nos deixando uma importante mensagem: Há de nascer... Há de
crescer... E há de se misturar!
A obra também pode ser considerada a perfeita tradução da
alma do povo brasileiro através da Bahia de Jorge Amado, com sua gente e seus
deuses quase humanos. Uma Bahia acima de tudo sincrética, povoada por negros,
mulatos e brancos que se ajoelham nas igrejas e dançam nos terreiros, com a
mesma devoção e total sinceridade.
O sincretismo na Bahia não é questão de raça ou de fé, mas
sim um traço cultural, como podemos observar na associação entre orixás do
candomblé e santos católicos.
Mas é nas ladeiras de São Salvador, onde comidas típicas de
origem africana preparadas pelas mães-de-santo, respeitadas tias quituteiras,
são servidas no dia da lavagem da igreja de Nosso Senhor do Bonfim, das
homenagens a Iemanjá e a Nossa Senhora dos Navegantes, entre outras
manifestações culturais e religiosas, como o Afoxé e a Corte do Congo, que
consagram a cultura negra e o encontro do sagrado e do profano na Bahia de
Todos os Santos.
Ê Bahia faceira... Pedaço da África no Brasil... Seu axé
ganhou o mundo... Pelo talento de Jorge Amado a justiça de Xangô está feita!
No Coração, Um Obá Muito Amado!
Jorge Amado fez o mundo olhar o Brasil com mais admiração e
respeito, ao retratar em suas obras um povo mestiço, alegre, festeiro e
sensual. Foi quem melhor contou as histórias do povo negro da Bahia através de
seus inesquecíveis personagens libertários e místicos, que transitaram com
liberdade entre mundo o real e o imaginário. A partir dele não podemos mais
pensar em nosso país sem as cores e o sensualismo, a mestiçagem e o
sincretismo, a fibra e a alegria que inspiraram e deram identidade às suas
obras imortais.
E como consagração a quem tanto fez e amou a “Raça
Brasileira”, Amado recebeu o título de Obá de Xangô pelas mãos de Mãe Senhora
no Ilé Axé Opô Afonjá – terreiro dedicado ao orixá da justiça, da verdade, dos
raios e dos trovões –, ocupando uma das doze cadeiras do conselho do Rei de
Oyó, uma das mais altas condecorações do candomblé,
Rufem os tambores da Bahia em consagração ao "Obá muito
Amado"!
E assim, sempre que houver injustiça, haverá também um
Ojuobá – Os “Olhos do Rei” – a invocar Xangô que, pela força das suas armas ou
pela inspiração do seu axé, fará justiça e cobrirá de verdade o seu povo...
Povo que veio da África e contribuiu definitivamente para a formação da
identidade da alma brasileira... Um povo cada vez mais destinado a “nascer,
crescer... se misturar”, e ser muito feliz!
Obá Amado, a Morada do Samba, em nome de toda a Nação
Brasileira, agradece a você por sua obra, por defender essa raça da qual nos
orgulhamos de fazer parte e continuaremos defendendo, com as armas de Xangô!
Kaô, meu pai...
Kaô Kabecile!
Axé!
Veja mais:- http://www.mocidadealegre.com.br
Vídeo:
"Ojuobá - No
Céu, os Olhos do Rei... Na Terra, a Morada dos Milagres... No Coração, Um Obá
Muito Amado!"
Autores do Samba: Fernando, Leandro Poeta, Renato Guerra,
Rodrigo Minuetto, Thiago e Vitor Gabriel
O rufar do tambor vai
ecoar
Tenho sangue
guerreiro, sou Mocidade!
A luz de Ifá vai me
guiar
Ojuobá espalha axé,
felicidade!
Kaô kabecile
Kaô, meu Pai Xangô!
Ouça o clamor de Ojuobá
É fogo! É trovão! É justiça!
E assim, cruzando o mar de Yemanjá
Aponta o seu oxé a nos guiar
Raiou o sol da liberdade a quebrar correntes
E nessa terra o negro vence
Com a proteção do rei de Oyó
Contra o preconceito ao seu povo
Conduz a mão que escreve um mundo novo
No Pelô... Salve a
Bahia de São Salvador
Eu vou à capoeira,
meu amor
Morada dos milagres,
devoção e fé
Um grito de
igualdade... Axé!
É magia...
Na mistura de raças surgiu
A pele morena, linda é a cor do Brasil
Na crença, um traço cultural
E pelas ruas o povo a cantar
É arte popular que faz emocionar, o Afoxé a embalar
No Ylê a sua luz brilhou
A mão de Mãe Senhora o consagrou
Eternizado, é coroado Obá de Xangô
Jorge... Orgulho da nação
Amado... Em cada coração
Feliz, o povo canta em oração!