Samba do Sino

A Roda surge da necessidade em manter acesa a chama da Cultura Popular Brasileira, trazendo a tona histórias que são cantadas através de sambas tradicionais de todo o território nacional, da velha guarda aos novos compositores, pois o Samba Presente Não Esquece o Passado, deixando prevalecer o sotaque do samba paulista, do rural ao urbano. O Sino surge devido à dificuldade em encerrar o Samba às 22h, pois é realizado em bairro residencial. Surge a idéia de se utilizar um sino para indicar o final do samba. Ai começaram a dizer: –“Vamos naquele samba, aquele que o cara toca o Sino...” Assim acaba-se adotando o nome Samba do Sino. Houve a aceitação e respeito geral e assim se conveniou tocar o Sino para começar e para terminar o Samba.

HISTÓRIA DO SAMBA

Nesta página você, vai encontrar resumos contendo uma história do SAMBA, De seus COMPOSITORES e INTÉRPRETES. Poderá, ainda, desfrutar de Várias Histórias, sobre a Música Popular Brasileira.

O mais característico ritmo musical brasileiro
Na periferia marginalizada de uma São Paulo em construção, o som retumbante dos batuques anunciava uma cultura imigrante que mais tarde influenciaria a cultura brasileira de forma definitiva. Os negros, últimas gerações de escravos do final do século 19, resgatavam sua identidade perdida nos navios negreiros com o som dos seus instrumentos peculiares em um samba rural e popular, improvisado em meio às lavouras cafeeiras. Não eram poetas ou compositores, mas cantavam sua vida em ritmo dançante e contagiante.

Esta história e suas conseqüências são ricamente contadas no documentário Samba à Paulista - fragmentos de uma história esquecida. O documentário realizado por alunos da Escola de Comunicações e Artes e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP resgata, através de depoimentos e vídeos antigos, a história daquele que é o mais característico ritmo musical brasileiro. (Márcia Soman Moraes)

Quando os negros chegam das lavouras de café à capital de São Paulo após a instauração da Lei Áurea de 1888, trazem consigo toda a cultura musical do interior. A cidade não os aceita e eles partem para a periferia em um movimento urbanístico de marginalização. Nas fronteiras da cidade, eles constroem centros de resistência e terreiros onde podem desenvolver sua cultura.


Batuqueiros escravos nascidos livres, o Samba e o “malandro” ultrapassam a Cultura Vigiada.

O povo africano escravizado foi trazido ao Brasil e enviado para vários estados, principalmente para o trabalho em lavouras. Junto com este contingente vieram também os costumes e tradições, entre elas os Batuques e seus Batuqueiros e um estilo de dança que era denominado como “SEMBA”.

O Batuque que chegou ao Brasil é uma forma de expressão artística genuinamente africana, como também a dança que brotava ao seu compasso. No Brasil esta forte influência se funde as culturas decorrentes de regiões espalhadas pelo território continental brasileiro iniciando uma imensurável cultura popular.

Socialmente, a confluência de escravos nascidos livres, afro-brasileiros nascidos escravos e escravos libertos proporcionam várias manifestações e revoltas, principalmente na Bahia. Grande número desses negros do estado da Bahia migra para o Rio de Janeiro, capital brasileira.

No entanto a cultura advinda do processo já se proliferou por todo o território nacional.Se na Bahia esses movimentos redefinem o calendário religioso por intermédio do sincretismo e migram ao Rio de Janeiro, em São Paulo se manifesta através das Festas Religioso-profanas, principalmente no interior do estado, onde o Senhorio rezava aos Santos e a Escravaria se dedicava aos Batuques.



A manifestação popular de origem negra através do SAMBA gera um preconceito e repressão por parte da cultura dominante burguesa que classifica o estilo musical como grosseiro de cadência rude e monótona. No mesmo momento em que a alta sociedade brasileira se baseia no modelo francês da Bela Época (Belle Époque) para instalar o progresso e a civilização, acreditando ser o Saber Erudito homogeneizante, em detrimento das Crenças e Culturas Populares.

Abro um parêntese para comentar como exemplo o fato de em 1907, o então ministro da guerra do governo Afonso Pena, Mal Hermes da Fonseca ter proibido as bandas militares de executarem o ritmo MAXIXE (primo irmão do SAMBA). A Igreja católica também embirrou com ritmo pagão. Em 1914 o cardeal Arcoverde, arcebispo do Rio de Janeiro, condenou a dança indecente.

Ainda em 1914, as vésperas do término do mandato presidencial, Nair de Teffé esposa do presidente Hermes da Fonseca, chateada por assistir cerimônias oficiais que não mostravam a cultura brasileira, preparou uma surpresa que acabou tornando-se um escândalo nacional. Ela convocou o compositor Catulo da Paixão Cearense para acompanhá-la, com seu violão, na apresentação da música que ela considerava a mais brasileira, o MAXIXE “Corta Jaca” de Chiquinha Gonzaga. Abaixo alguns versos da música:

“Essa dança é buliçosa,
Tão dengosa
Que todos querem dançar
Não há ricas baronesas,
Nem marquesas
Que não queiram requebrar…”



Em resposta ao ocorrido, o então senador Rui Barbosa, que havia perdido a eleição presidencial para Hermes da Fonseca, se manifesta na tribuna do senado:

“... A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea  do batuque, do cateretê e do Samba. Mas nas recepções presidenciais o “Corta Jaca” é executado com todas as honras de Wagner, e não se quer que a consciência desse país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se ria!”

Voltando após estes relatos. Apesar de o Samba “Pelo Telefone” ter sido registrado por Donga e Mauro de Almeida ser considerado o primeiro samba gravado, há muitas controvérsias, tanto quanto a autoria bem como a ter sido o primeiro samba gravado e até ser considerado mpor muitos um Maxixe. Na verdade, sabe-se hoje em dia que já em 1914 vários outros sambas já haviam sido gravados outros, como segue:

OUTROS SAMBAS: Numa série de 1912 a 1915, da Gravadora ODEON, temos “A Vila Está Magoada” - Catulo da Paixão Cearense; “Moloque Vagabundo” - Lourival Carvalho; “Chora, Chora, Chorado” - Bahiano, Janga e Grupo Paulista; “Samba Roxo” - Eduardo das Neves . Na gravadora Columbia (1908/1912) “Samba Michaella” - Bartlet; “Quando a Mulher Não Quer” - Arthur de Castro; “No Samba” - Pepa Delgado e Mário Pinheiro. Gravadora Phoenix (1914/1918) “Flor do Abacate” e “Samba do Urubu” - Grupo do Louro, Samba Pessoal Descarado - Grupo dos Descarados; “Vadeia Caboclinha” - Grupo Tomaz de Souza; dos Avacalhados “Samba” - Grupo do Pacheco, “Coro e Batuque”. Gravadora Favorite Record “Samba em Casa de Baiana” - sem identificação de intérprete ou autor. (1910/1913).

Alem disto, a quem diga que o samba “Pelo Telefone” era de composição popular, cantado nas rodas de Partido Alto no terreiro de “Tia Ciata” – A Mãe do Samba. Existe também uma menção ao qual João da Baiana teria gravado este samba primeiro do que Donga, mas que por um erro da gráfica no selo do disco seu número ficou posterior ao de Donga. Consta também relato de que Sinhô tenha tentado também registrar o samba, porem posteriormente a Donga.

Temos também a questão da letra do samba que foi alterado para a gravação, A ironia contra a Polícia e a apologia aos jogos de azar, ocasionaram a mudança nos versos. Veja:-

Letra original

O chefe da Polícia
Pelo Telefone
Mandou avisar
Que na Carioca
Tem uma roleta
Para se jogar


Letra alterada

O Chefe da Folia
Pelo telefone
Manda avisar
Que com alegria
Não se questiona
Para se brincar



O carnaval foi uma das formas de se infiltrar na cultura dominante, passa a influenciar a cultura pequena burguesa da capital Rio de Janeiro. Somente a partir de 1920 é que essa resistência popular passou a colher seus frutos. Já em 1930 o samba passou a ser apresentado à alta sociedade e também aos estrangeiros, a tocar em rádios, o que veio estimular os compositores a lançar sambas de forma comercial.

Em São Paulo também proliferam os cordões carnavalescos e vários pontos onde se cantava o samba, com o terreiro de “Tia Olímpia” – Dona do Samba. No interior do estado em também na Barra Funda, onde surgiu o primeiro cordão carnavalesco em 1914. No largo da Banana, onde era comum o jogo de “tiririca” (uma espécie de capoeira), tudo era normal até a polícia aparecer com o cassetete.

O tema recorrente nas canções carnavalescas era a falta de dinheiro e também a política. Numa época em que mesmo que se trabalhasse muito o pagamento nunca era suficiente para o sustento. Outro personagem que era comumente cantado nos versos era o Malandro, pessoa que morava no morro, no subúrbio, freqüentava bares e para a qual a vida teria fornecido esperteza.

O Brasil e o Estado Novo de Getúlio Vargas

O Estado Novo traz a exaltação ao trabalho, cria o DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, se transforma num governo nacionalista e populista, fecha o congresso nacional e é controlador e centralizador.

O DIP foi criado por decreto presidencial em 1939 e deveria difundir a ideologia do Estado Novo junto as camadas populares e dominar a vida cultural do país.  Tinha a função de coordenar, orientar, centralizar e fazer censura: propaganda interna e externa,teatro, cinema e funções esportivas e recreativas, manifestações cívicas, festas patrióticas, exposições, concertos, conferências, e dirigir o programa de radiodifusão oficial do governo.

O Estado Novo sabia da enorme penetração do samba e o carnaval na base as sociedade brasileira, principalmente a carioca e faz uma aproximação exigindo mudanças nos temas. Deveria sair o “Malandro” (lhe fora apregoado que não gostava de trabalhar, o que vinha em desencontro a política de trabalho do governo Vargas), entrando em seu lugar os temas nacionalistas e líricos amoroso que apresentavam tons fantasiosos de um Brasil pobre, mas alegre, ativo, unido, o paraíso tropical, onde as condições internas eram suprimidas.

Veja o exemplo da interferência do DIP na música “Bonde São Januário” de Wilson Batista e Ataulfo Alves.


Letra Alterada

“Quem trabalha
É quem tem razão
Eu digo,
Não tenho medo de errar
O Bonde São Januário
 Leva mais um operário
Sou eu que vou trabalhar"



Letra Original

“Quem trabalha
Não tem razão
Eu digo,
Não tenho medo de errar
O Bonde São Januário
Leva mais um otário
Sou eu que vou trabalhar”


O lírico amoroso nos versos de “Felicidade” de Lupicínio Rodrigues:

“Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou em  um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa a pensar”


Samba nacionalista “Aquarela do Brasil” de Ari Barroso:

“Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz ginga
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Prá mim...prá mim...
Ói, esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro”



O malandro agora passaria a ser “Malandro Regenerado” com uma postura caricata pequeno burguesa, como no samba “Senhor Delegado” de Antonio Lopes e Jaú:

“Senhor delegado
Seu auxiliar está equivocado comigo
Eu já fui malandro
Hoje estou regenerado
Os meus documentos
Eu esqueci mas foi por distração
Comigo não
Sou rapaz honesto
Trabalhador, veja só minha mão
Sou tecelão”   



No Estado Novo o “malandro” não portava mais revolver, navalha, nem usava força física. Sua arma passou a ser o jogo de palavras, quando surgia alguma linguagem estranha, visava a sátira ou ao disfarce. Como no samba “Acertei no Milhar” de Wilson Batista e Geraldo Pereira, eternizada por Moreira da Silva.

Acertei no milhar
Ganhei quinhentos contos
Não vou mais trabalhar
Você dê toda a roupa velha aos pobres
E a mobília podemos quebrar (isto é prá já)
Etelvina
Vai ter outra lua de mel
Você vai ser madame
Vai morar no Palace Hotel
Eu vou comprar um nome não sei onde
De Marquês Dom Morengueira de Visconde
E um professor de francês mom amour
Eu vou trocar seu nome
Pra Madame Pompadour”





Nota:- Madame de Pompadour

Cortesã francesa e amante do Rei Luiz XV, governou  Versalles, concedia audiências  a embaixadores e tomava  decisões sobre todas as questões ligadas  a favores, de forma tão absoluta quanto qualquer monarca.

Neste escopo, o Estado Novo que tinha o centro do governo no Rio de Janeiro, então capital brasileira, e havia transformado a Rádio Nacional do RJ em estatal - a rádio tinha potência que alcançava todo o território nacional - desta forma o governo de Getulio Vargas decreta que o Samba Carioca seria o Samba Nacional.

Office of the Coordinator of Inter- American Affairs – OCIAA
(Escritório do Coordenador de Assuntos Interamericanos)

A agência norte-americana - OCIAA atuou de forma ostensiva com o DIP, principalmente nas pesquisas e implementação de técnicas para a criação de cartilhas escolares. Se subdividia em seções: música, cinema, imprensa, literatura, rádio, arte,finanças, exportação, problemas sanitários, transporte e educação infantil. Veiculava na imprensa brasileira factóides favoráveis aos Estados Unidos. Trouxeram ao Brasil o American way of life (estilo americano de vida).

A Política de boa vizinhança e da troca cultural. Data dessa época o nascimento do conhecido personagem dos Estúdios Disney, o papagaio Zé Carioca com O filme “Alô Amigos”. O personagem é falador, esperto e “Malandro”.

Trecho de carta de Ary Barroso a sua filha no Brasil.

"Já estive nos estúdios do Walt Disney. Colosso! Fui recebido com todas as honras. Ele me ofereceu um drinque e me exibiu a nova fita sobre assuntos brasileiros com o pato e o papagaio."

Assista desenho Aquarela do Brasil:


Data desta carta: 1942. Remetente: Ary Barroso, Los Angeles. "Assuntos brasileiros": os filmes de animação "Alô, Amigos" (43) e "Você Já Foi à Bahia?" (45), que introduziram ao mundo o papagaio Zé Carioca e as músicas "Aquarela do Brasil" e "Na Baixa do Sapateiro".

Na música “Brasil Pandeiro” Assis Valente revela a verdadeira face desta troca cultural.

“Chegou a hora dessa gente bronzeada
mostrar seu valor
Eu fui à Penha, fui pedir à padroeira
para me ajudar
Salve o Morro do Vintém, Pendura a saia,
eu quero ver
Eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro
para o mundo sambar”




Waldek Artur de Macêdo – O Gordurinha também revela a verdadeira face desta troca cultural com seu Samba “Chiclete com Banana”.

“Eu só boto bebop no meu samba
Quando Tio Sam tocar um tamborim
Quando ele pegar
No pandeiro e no zabumba.
Quando ele aprender
Que o samba não é rumba.
Aí eu vou misturar
Miami com Copacabana
.
Chiclete eu misturo com banana,
E o meu samba vai ficar assim:”,




Se, desde os anos 1930, o samba "significava o Brasil", na década de 1950 afirmou-se uma espécie de "samba crítico" no qual esse símbolo convencional da brasilidade era incorporado pelos compositores para demonstrar as fragilidades e contradições da nação, sugerindo uma canção de protesto avant-la-lettre (após a letra).

Os “Sambas Críticos” apontavam para a falência da democracia social do Estado Novo e da "democracia racial" propagada pelas elites intelectuais, nesse jogo, aceitavam-se as bases simbólicas do samba-exaltação (o morro, o povo "autêntico"), mas invertia-se o seu sentido político.

Samba de Geraldo Pereira “Ministério da Economia”

“Seu Presidente,
Sua Excelência mostrou que é de fato
Agora tudo vai ficar barato
Agora o pobre já pode comer
Seu Presidente,
Pois era isso que o povo queria
O Ministério da Economia
Parece que vai resolver
Seu Presidente
Graças a Deus não vou comer mais gato
Carne de vaca no açougue é mato
Com meu amor eu já posso viver”




Samba “Preconceito” de Wilson Batista

“Eu nasci num clima quente
Você diz a toda gente
Que eu sou moreno demais
Não maltrate o seu pretinho
Que lhe faz tanto carinho
E no fundo é um bom rapaz
Você vem de um palacete
Eu nasci num barracão
Sapo namorando a lua
Numa noite de verão
Eu vou fazer serenata
Eu vou matar minha dor
Meu samba vai, diz a ela
Que o coração não tem cor”



O Samba “Escurinho” de Geraldo Pereira

“O escurinho
era um escuro direitinho
Que agora tá
com essa mania de brigão
Parece praga
de madrinha ou macumba
De alguma escurinha
que lhe fez ingratidão
Saiu de cana ainda
não faz uma semana
Já a mulher
do Zé Pretinho carregou 
O escurinho
era um escuro direitinho
Que agora tá
com essa mania de brigão
Parece praga
de madrinha ou macumba
De alguma escurinha
que lhe fez ingratidão
Saiu de cana ainda
não faz uma semana
Já a mulher
do Zé Pretinho carregou”


O SAMBA AFRO BAIANO, MAS COM TEMEPERO CARIOCA, E O SAMBA EM SÃO PAULO.

"Pequena África do Rio de Janeiro",  a comunidade de Tia Ciata - Hilária Batista de Almeida, Admirável mãe de santo. Foi neste terreiro, onde ritmos como o Samba de Roda, O Samba de Angola e outros se misturaram para dar origem ao primeiro samba gravado no Brasil, Pelo Telefone - Donga e Mauro de Almeida em 1917, "Tia Ciata" passa a ser conhecida como A mãe do Samba, ea "Casa de Tia Ciata passa" Ser uma referência na história do samba, do candomblé e da cidade do Rio de Janeiro. Morreu em 1924.

PELO TELEFONE - PRIMEIRO DE SAMBA E SUAS POLÊMICAS

Apesar de ser considerado o primeiro samba gravado no Brasil, Pelo telefone - Donga e Mauro de Almeida, é uma música polêmica, pois sempre teve sua autoria e também discutida Em função da proximidade com o Maxixe, alem da ironia que trazia em sua letra original , como veremos ao final.

O próprio Donga afirmava que  Bahiano havia gravado o primeiro samba "Pelo Telefone". Ainda, segundo Almirante a música era cantada por todos no terreiro de Tia Ciata, e, portanto, seria uma composição coletiva por se tratar de Partido Alto - em que todos improvisam versos, no entanto, registrou um primeiro Donga.

Sinhô - José Barbosa da Silva, Ficou surpreso quando Donga, em 1917, gravou e registrou como sendo dele (em parceria com Mauro de Almeida) o samba carnavalesco Pelo Telefone, que na casa da Tia Ciata todos cantavam como o nome de "O Roceiro". A canção, que até hoje é motivo de discussões, gerou uma das maiores polêmicas da história da música brasileira, com vários compositores, entre eles Sinhô, reividicando sua autoria. Para alimentar a polêmica, compôs, em 1918, Quem São Eles, numa clara provocação aos parceiros de Pelo Telefone.

Desta forma, a versão registrada não foi a original na qual havia uma crítica bem humorada em relação a uma autoridade pública, no entanto esta versão original ficou no gosto popular e é lembrada até hoje. Na versão que foi registrada por Donga, “o chefe da Polícia” vira o rei Momo “O Chefe da Folia”.

Vejam a letra da versão registrada da música "Pelo telefone"
   
O chefe de folia/ Pelo telefone/ Manda avisar/ Que com alegria/ Não se questione/ Para se brincar/ Ai, ai, ai/ É deixar mágoas pra trás/ É rapaz/ Ai, ai ai,/ Fica triste se és capaz/ E verás/ Tomara que tu apanhes/ Pra não tornar a fazer isso/ Tirar amores dos outros/ Depois fazer seu feitiço/ Ai, ai, rolinha/ Sinhô, sinhô/ Se embaraçou/ Sinhô, sinhô/ É que a avezinha/ Sinhô, sinhô/ Nunca sambou/ Sinhô, sinhô/ Porque esse samba/ Sinhô, sinhô/ De arrepiar/ Sinhô, sinhô/ Põe perna bamba/ Sinhô, sinhô/ Mas faz gozar/ Sinhô, sinhô/ O "Peru" me disse/ Se o "Morcego" visse/ Eu fazer tolice/ Que eu então saísse/ Dessa esquisitice/ De disse que não disse/ Ai, ai, ai/ Aí está o canto ideal/ Triunfal/ Viva o nosso Carnaval/ Sem rival/ Se quem tira amor dos outros/ Por Deus fosse castigado/ O mundo estava vazio/ E o inferno só habitado/ Queres ou não/ Sinhô, sinhô/ Vir pro cordão/ Sinhô, sinhô/ Do coração/ Sinhô, sinhô/ Por este samba 

A letra trazia uma ironia contra a policia e a apologia aos jogos de azar, a versão não registrada é a seguinte:

   O chefe de polícia/ Pelo telefone/ Mandou avisar/ Que na Carioca/ Tem uma roleta/ Para se jogar…/ Ai, ai, ai/ O chefe gosta da roleta/ Ó maninha/ Ai, ai ai/ Ninguém mais fica forreta/ É maninha/ Chefe Aurelino/ Sinhô, sinhô/ É bom menino/ Sinhô, sinhô/ Pra se jogar/ Sinhô, sinhô/ De todo jeito/ Sinhô, sinhô/ O bacará/ Sinhô, sinhô/ O pinguelim/ Sinhô, sinhô/ Tudo é assim

Ainda, uma nota  no jornal anunciou na véspera do Carnaval de 1917 que o verdadeiro tango Pelo telefone, de autoria de João da Mata, mestre Germano, Tia Ciata, Hilário Jovino e Sinhô, seria cantado na Av. Rio Branco. Veja a Letra:

  Pelo telefone/ A minha boa gente/ Mandou me avisar/ Que o meu bom arranjo/ Era oferecido/ Para se cantar/ Ai, ai, ai/ Leve a mão à consciência/ Meu bem/ Ai, ai, ai/ Mas por que tanta presença, meu bem?/ Ó que caradura/ De dizer nas rodas/ Que este arranjo é teu!/ É do bom Hilário/ E da velha Ciata/ Que o Sinhô escreveu/ Tomara que tu apanhes/ Pra não tornar a fazer isso/ Escrever o que é dos outros/ Sem olhar o compromisso.

O certo, porém, é que os versos que, segundo Vagalume, Donga "impingiu" no "Pelo Telefone", são de um samba pernambucano, intitulado "Olha a Rolinha". Bernardo Alves os menciona como sendo originalmente "Olha a rolinha/ Doce, doce/ Mimosa flor/ Doce, doce/ Presa no laço/ Doce, doce/ Do nosso amor." Gilberto Gil conhece esta música tendo "Voou, voou" no lugar de "Doce, doce" como refrão - ou melhor, relativo.

A influência do Nordeste está presente até no samba considerado o marco histórico do samba carioca, "Pelo Telefone" (Donga - Mauro de Almeida), gravado por Bahiano em 1917. Em seu livro Na Roda do Samba (1933), Francisco Guimarães (Vagalume) informa que Donga aprendeu o trecho da música que é samba-corrido - "Olha a rolinha/ Sinhô! Sinhô!/ Se embaraçô/ Sinhô! Sinhô!/ Caiu no laço/ Sinhô! Sinhô!/ Do nosso amor/ Sinhô! Sinhô!" - com Mirandella, o primeiro a cantar samba e embolada no Clube dos Democráticos. Estes são os versos que abrem a gravação “Pelo telefone” de Bahiano.

Assista o Vídeo - PELO TELEFONE:
Pelo Telefone - Chico Buarque, Donga, Pixinguinha e Hebe -



Aqui está a versão gravada por Almirante, que participava dos sambas no terreiro de Tia Ciata, ”Pelo Telefone” - Compositor: Mauro de Almeida / Donga - Interprete:- Almirante: O chefe da folia pelo telefone manda lhe avisar/Que com alegria não se questione para se brincar/Ai, ai, ai,/Deixa as mágoas para trás ó rapaz/Ai, ai, ai,/Fica triste se é capaz, e verás  /Tomara que tu apanhes/Não tornes a fazer isso/Tirar amores dos outros/Depois fazer teu feitiço/Olha a rolinha (Sinhô, sinhô)/Se embaraçou (Sinhô, sinhô)/Caiu no laço (Sinhô, sinhô)/Do nosso amor (Sinhô, sinhô)/Porque este samba (Sinhô, sinhô)/É de arrepiar (Sinhô, sinhô)/Põe perna bamba (Sinhô, sinhô)/Mas faz gozar/O chefe da polícia pelo telefone manda lhe avisar/Que na Carioca tem uma roleta para se jogar   (2 Vezes)/Ai, ai, ai,/Deixa as mágoas para trás ó rapaz/Ai, ai, ai,/Fica triste se é capaz, e verás /Tomara que tu apanhes/Não tornes a fazer isso/Tirar amores dos outros/Depois fazer teu feitiço/Olha a rolinha (Sinhô, sinhô)/Se embaraçou (Sinhô, sinhô)/É que a avezinha (Sinhô, sinhô)/Nunca sambou (Sinhô, sinhô)/Porque este samba (Sinhô, sinhô)/É de arrepiar (Sinhô, sinhô)/Põe perna bamba (Sinhô, sinhô)/Mas faz gozar.

Assista o video:


O nome samba já aparecera numa partitura de música de concerto. Alexandre Levy compôs em 1890 uma das primeiras obras brasileiras em moldes sinfônicos, a "Suíte Brésilienne". Para ficar dentro das regras em vigor, além do título em francês, destinou o último movimento a uma dança nacional característica. Assim como os europeus encerravam suas obras com a giga ou minueto, Levy chamou o final de sua suíte de "Samba". O tema por ele utilizado - "Balaio, Meu Bem, Balaio" - cuja origem localizou em ritmos típicos dos negros do interior paulista, também serviu como inspiração para Brazílio Itiberê compor "A Sertaneja" (embora Itiberê afirmasse que seu tema era do litoral paranaense). Aliás, "Balaio...", mesmo que com outros nomes, é considerado música folclórica local em Pernambuco (onde se chama "O Carapina" e remontaria ao início do século 18), Maranhão (os maranhenses vêem no tema uma referência à Balaiada) e Rio Grande do Sul.

OUTROS SAMBAS: Numa série de 1912 a 1915, da Gravadora ODEON, temos A Vila Está Magoada - Catulo da Paixão Cearense; Moloque Vagabundo - Lourival Carvalho; Chora, Chora, Chorado - Bahiano, Janga e Grupo Paulista; Samba Roxo - Eduardo das Neves . Na gravadora Columbia (1908/1912) Samba Michaella - Bartlet; Quando a Mulher Não Quer - Arthur de Castro; No Samba - Pepa Delgado e Mário Pinheiro. Gravadora Phoenix (1914/1918) Flor do Abacate e Samba do Urubu - Grupo do Louro, Samba Pessoal Descarado - Grupo dos Descarados; Vadeia Caboclinha - Grupo Tomaz de Souza; dos Avacalhados Samba - Grupo do Pacheco, Coro e Batuque. Gravadora Favorite Record Samba em Casa de Baiana - sem identificação de interpréte ou autor. (1910/1913)

Samba do Urubú ou Urubú Malandro




Urubu malandro (dança característica, 1914)
Autor desconhecido; tema folclórico
Louro e João de Barro

Urubu veio de riba / Com fama de dançadô
Urubu chegou no Rio / Urubu nunca dançou
Dança, dança urubu / Eu não, sinhô

Urubu não vai ao céu / Nem que seja rezadô
Urubu catinga muito / Persegue Nosso Senhor
Foge, foge urubu / Eu não, sinhô

Urubu está cantando / Que nada sabe dizê
Em Mato Grosso se ouve: / Que foi a tropa fazê?
Fala, fala urubu / Eu não, sinhô

Urubu lá do Pará / Quem tem fama de avançadô
Larga o trono, vem embora / Deixa o Lauro por favô
Deixa, deixa urubu / Eu não, sinhô

Urubu delegado / É um moço de valô
É bonito e é letrado / Sabe mais que um dotô
Sabe, sabe urubu / Eu não, sinhô

Urubu municipá / Larga o osso por favô
Vê se come os intendente / Da mão do bispo, sinhô
Come, come urubu / Eu não, sinhô

Urubu chega disposto / Deixa o povo por amô
Corta os casaca-lavado / Que é pessoá avançadô
Corta, corta urubu / Eu não, sinhô

Urubu Nascimento / Carinha que Deus pintô
Meta a mão na algibeira / Paga aquele cantor
Paga, paga urubu / Eu não, sinhô


Flor do Abacate 


CHIQUINHA GONZAGA
Nascimento17/10/1847
Morte 28/02/1935

Francisca Edwiges era mestiça. Sua mãe Rosa Maria de Lima era negra, e seu pai Jose Basileu Gonzaga um militar bem sucedido. Mesmo em face da forte pressão, Jose Basileu reconhece a filha, casa com Rosa Maria, e do casamento nascem mais três filhos.

Foi alfabetizada em casa, onde também tinha educação musical, aprendia a tocar piano com o Maestro Lobo. Casa-se aos dezesseis anos com Jacinto Ribeiro do Amaral. Mas, o piano acaba por assumir uma grande importância na vida de Chiquinha, a ponto de provocar ciúmes de seu marido. Seu marido a força a escolher entre ele e a música, e assim se separa de Jacinto Ribeiro.

Ela, então, passa a viver como musicista independente, tocando piano em lojas de instrumentos musicais. Deu aulas de piano para sustentar o filho João Gualberto e mantê-lo junto de si, sofrendo preconceito por criar seu filho sozinha. Passando a dedicar-se inteiramente a música, onde obteve grande sucesso, sua carreira aumentou e ela ficou muito famosa, tornando-se também compositora de polcas, valsas, tangos e cançonetas. Antes, porém, uniu-se a um grupo de músicos de choro, que incluía ainda o compositor Joaquim Antônio da Silva Callado, apresentando-se em festas. Foi a primeira chorona, primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca (Ô Abre Alas, 1899) e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

Joaquim Antônio da Silva Calado Júnior
Nascimento - Rio de Janeiro, 11 de julho de 1848
Morte - Rio de Janeiro, 20 de março de 1880

Os historiadores o consideram como um dos criadores do choro ou como o pai dos chorões. Seu grupo, que ficou conhecido como "O Choro de Calado", era constituído por um instrumento de solo, no caso sua flauta de ébano, dois violões e um cavaquinho, onde os acompanhantes, ou os três instrumentistas de cordas, tinham boa capacidade de improvisar sobre o acompanhamento harmônico, que é a base do choro.

O compositor trabalhou e conviveu com inúmeros chorões, que se destacaram naquela fase de fixação da nova maneira de interpretar as modinhas, lundus, valsas e polcas. Dentre eles, o seu amigo e aluno, o flautista Viriato Figueira e sua também amiga Chiquinha Gonzaga.

Callado criou o primeiro grupo de choro. Inicialmente composto por dois violões, uma flauta e um cavaquinho. O grupo começou adotando a polca-de-serenata, que trazia passagens modulantes em ritmo acelerado. No começo, o choro possuía improvisações, em que os violões criavam o ambiente para a flauta solar e o cavaquinho fazia um papel intermediário entre eles. Callado foi parceiro de Viriato Figueira da Silva, Ismael Correia, Lequinho e outros chorões. Era amigo do compositor de modinhas Chiquinho Albuquerque e do flautista belga Matheus André Reichert, que D. Pedro II contratou para animar os Saraus do Paço em 1859. Em 1879, Callado recebeu a mais alta condecoração do Império: A Ordem da Rosa.

Morreu aos 31 anos no Rio de Janeiro de meningo-encefalite perniciosa

João da Gente
8/12/1882 Rio de Janeiro, RJ
18/1/1937 Rio de Janeiro, RJ

João de Wilton (ou da Silva) Morgado. Popular compositor carnavalesco das primeiras décadas do século XX, no Rio de Janeiro. Compôs dezenas de sambas e marchinhas de carnaval, entre elas a marcha "Deixa ela" e o samba "Olá". Em 1927, teve o samba "Vou te deixar" gravado por Francisco Alves pela Odeon. Em 1928, Francisco Alves gravou na Odeon o samba "Sou o meu bem". Nesse mesmo ano, conheceu talvez seu maior sucesso, o samba "Vem comigo", campeão do carnaval do ano seguinte. Além de muito cantado na famosa Festa da Penha, foi gravado por Francisco Alves na Parlophon. Em 1929, Laís Areda gravou a toada brasileira "Nossa canção", na Odeon e Francisco Alves na Parlophon o samba "Não jures". No mesmo ano, Vicente Paiva gravou na Parlophon o samba "Mulheres sapecas". Em 1930, seu samba "Não chora", foi gravado por Helena de Carvalho na Victor e o samba "Orgulhosa", por Iolanda Osório na Brunswick.

No mesmo ano, compôs com Heitor dos Prazeres o samba-canção "Tristeza" gravado por Januário de Oliveira na Columbia. Ainda nesse mesmo ano, Francisco Alves gravou em dueto com Luci Campos na Odeon o samba "Não se esqueça do seu bem". Em 1931, teve quatro composições gravadas na Parlophon: Paulo Neto de Freitas gravou as canções "Quebranto" e "Pra vancê" e Murilo Caldas os sambas "Guiomar" e "Deixei". Em 1932, Elza Cabral gravou na Columbia seu samba "Falso amor".

Um apaixonado pelo carnaval, foi idealizador e organizador de vários blocos, instituindo prêmios para as fantasias e carros alegóricos. Organizador das tradicionais batalhas de confete, sempre integrava as comissões julgadoras dos desfiles carnavalescos. Organizou, em 1915, a Mi-Carême, festa dos campeões do carnaval, realizada com sucesso nos domingos de Páscoa. Como teatrólogo, escreveu vários dramas e comédias: "Silvina, Cruz e perdão", "Por causa das dúvidas", "O engano", "O paletó não é meu" e "Tio Tibério". Escreveu dois livros: "Arpejos", em versos, e "Cintilações", em prosa. Foi membro da Comissão de Frente do Clube dos Democráticos.

DONGA 
Nasceu em 05 de abril de 1890
Morreu em 25 de agosto de 1974.

Ernesto Joaquim Maria dos Santos. Participou do primeiro grupo de compositores e músicos, que mais tarde daria origem ao Samba, como nos conhecemos hoje em dia. Nasceu no Rio de Janeiro, e desde garoto frequentou as rodas de samba que candomblé aonteciam que nos terreiros das "baianas Tias", que promoviam uma música africana na cidade do Rio de Janeiro No início do século XX. Na adolescência começou tocar um cavaquinho e violão. Já em 1916 era integrante assíduo das rodas de samba da "Tia Ciata" - Mãe do Samba, junto com outros bambas como João da Baiana, Pixinguinha, etc Em 1917 Ocorre uma gravação do que é considerado o primeiro samba "Pelo Telefone", COM registro de sua autoria.

Assista este vídeo, João da Baiana e Donga falando sobre o Samba http://www.youtube.com/watch?v=bq9yobFO1Kk

 João da Baiana

Nasceu no Rio de Janeiro em 17 de maio de 1887
Morreu em 12 de janeiro de 1974


João Machado Gomes. Filho de "Tia Baiana" é considerado o Edição Única do pandeiro no samba, batida que aprendeu com sua mãe "Tia Preseiliana", também foi o Primeiro a ser visto raspando a faca no Prato, um instrumento inusitado. Participou de grupos como Conjunto dos Moles - de Alfredinho no Choro, Grupo do Louro, antes formou com Pixinguinha e Donga um dos Orquestra Diabos do Céu eo Grupo da Guarda Velha. Em 1940 participa das gravações feitas por Leopold Stokowski que recolhia música brasileira para ser estudada nos Estados Unidos, aqui podemos sentir uma política norte-americana da "troca cultural que seguia" uma política do "Big Stick" de Roosevalt, como Criticou Gordurinha em seu samba "Chiclete com Banana", gravado por Jackson do Pandeiro e também, Assis Valente, em seu samba "Brasil Pandeiro", mas isso é um assunto que iremos polemizar mais à frente.

Assita este vídeo, João da Baiana (Pixinguinha, Baden Powell e João da Baiana tocam Lamento – Pixinguinha e Vinicius de Moraes) Vemos João da Baiana tocado prato - http://www.youtube.com/watch?v=98gYhQixXwo


PIXINGUIHNA 
Nascimento 23 de abril de 1897
Morte 17 de fevereiro de 1973 (75 anos)

Alfredo da Rocha Vianna Jr. "Se você tem 15 volumes para falar de toda música brasileira, fique certo de que é pouco. Mas se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido. Escreva depressa: "Pixinguinha"." (Ary Vasconcelos )

É considerado o "PAI DA MÙSICA BRASILEIRA". Primeiro maestro-arranjador a assinar contrato com uma gravadora no Brasil. Pixinginha criou as bases da musica brasileira, misturou Ernesto Nazareh, Chiquinha Gonzaga e os Primeiros Chorões com ritmos africanos, estilos europeus e a música americana negra, o que fez surgir um estilo genuinamente brasileiro. Em 1922, patrocionado por um milionário, viaja pela Europa junto com o seu grupo " OS BATUTAS", formado por Pixinguinha na flauta, João Pernambuco e Donga no violão, dentre outros músicos. Fez sucesso entre a elite carioca, tocando maxixes e choros e utilizando instrumentos até então só conhecidos nos subúrbios cariocas.

Suas composições "Carinhoso" e "Lamentos" foram duramaente criticadas por terem um influência muito forte do jazz, o choro Carinhoso ainda teria sido considerado uma Polca.

Heitor dos Prazeres
Rio de Janeiro, 23 de setembro de 1898
Rio de Janeiro, 4 de outubro de 1966


Heitor foi um dos pioneiros do samba carioca. Dominava o cavaquinho e o clarinete, seu maior sucesso foi em parceria com Noel Rosa "Pierrô Apaixonado", ainda foi um dos fundadores da Escola de Samba Vai como Pode, mais tarde batizada de GRES Portela, campeã do carnaval de 1929 com seu samba "Não adianta chorar", ainda no quesito escolas de samba participou da criação de outras escolas: "De mim Ninguem se Lembra"; "Deixa Falar" e a "Manqueira". Foi iniciado nas rodas de samba pelo mestre Hilário Jovino. Porem, sua maior disputa foi a autoral, com seu antigo parceiro "SINHÔ".

Francisco Alves gravou Ora vejam só e Cassino Maxixe, sendo suas autorias atribuídas exclusivamente a Sinhô, que com a reclamação de Heitor fez o samba-conselho Segura o boi. Heitor replica com Olha ele, cuidado! e a briga ficaria por ai se Cassino Maxixe não fosse gravada por Mário Reis no ano seguinte (1928), com o título definitivo de Gosto que me enrosco. Heitor dos Prazeres volta ao ataque com Rei dos meus sambas, alusivo ao título de Rei do Samba de Sinhô, que tenta inutilmente impedir a gravação do protesto. Mais tarde Heitor recebeu trinta e oito mil-réis por sua parte na parceria de Cassino Maxixe, acordo que lhe valeu também o reconhecimento da autoria.
Deixaste o meu lar é um samba só de Heitor, mas gravado em 1930 trazendo apenas o nome de Francisco Alves como autor, comprovando o comércio, a venda de sambas pelos compositores pobres aos ricos cantores do rádio.

Sem abandonar o samba, iniciou-se como pintor primitivista, o que o levou a participar da Primeira Bienal de São Paulo em 1951, voltando a ela em 1953 e 1961. Esteve também em mostras coletivas em quase todas as capitais sul-americanas, em 1957; na exposição Oito Pintores Ingênuos Brasileiros, em Paris, em 1965; Pintores Primitivos Brasileiros em Moscou e outras capitais européias, em 1966. No mesmo ano em que morreu, representara o Brasil no Festival de Arte Negra, em Dacar; no Senegal.

Clementina de Jesus
Nascimento – Valença – 07/02/1901
Morte – Rio de Janeiro – 19/07/1987

Foi uma cantora brasileira de samba. Também era conhecida como Tina ou Quelé. Nascida na comunidade do Carambita, bairro da periferia de Valença, no sul do Rio de Janeiro, mudou-se com a família para a capital aos oito anos de idade, radicando-se no bairro de Osvaldo Cruz. Lá acompanhou de perto o surgimento e desenvolvimento da escola de samba Portela, frequentando desde cedo as rodas de samba da região. Em 1940 casou-se e mudou para a Mangueira. Trabalhou como doméstica por mais de 20 anos, até ser "descoberta" pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho em 1963, que a levou para participar do show "Rosa de Ouro", que rodou algumas das capitais mais importantes do Brasil e virou disco pela Odeon, incluindo, entre outros, o jongo "Benguelê". Devota da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, participava de festas das igrejas da Penha e de São Jorge, cantando canções de romaria. Considerada rainha do partido alto, com seu timbre de voz inconfundível, foi homenageada por Elton Medeiros com o partido "Clementina, Cadê Você?" e foi cantada por Clara Nunes com o "P.C.J, Partido Clementina de Jesus", em 1977, de autoria do compositor da Portela Candeia.

Clementina causou uma fascinação em boa parte da MPB. Artistas tão diferentes como João Bosco, Milton Nascimento e Alceu Valença fizeram questão de registrar sua voz em seus álbuns. Apesar disso Clementina nunca foi um grande sucesso em vendagem de discos. Talvez por ter gravado quase que somente temas folclóricos, ou por sua voz não obedecer aos padrões estéticos tradicionais. O que realmente impressionava eram suas aparições no palco, onde tinha um contato direto com seu público.

Mesmo tendo iniciado tardiamente sua vida artística e com uma curta carreira, é sem dúvida uma das mais importantes artistas brasileiras. Faleceu em função de um derrame na Vila Santo André - Inhaúma - Rio de Janeiro, em 19 de julho de 1987.

ALMIRANTE 
Nascimento: 19 de fevereiro de 1908 - Rio de Janeiro
Morte: 22 de dezembro de 1980 (72 anos).



Henrique Foréis Domingues. Também conhecido como "a mais alta patente do rádio". Foi o pioneiro da música popular brasileira. Com outros alunos do Colégio Batista, formou em 1928 o grupo "Flor do Tempo". Já em 1929 quando são convidados a gravar um Disco, convidam mais um integrante: NOEL ROSA, e o grupo é rebatizado como "Bando de Tanagarás". Com o término do Grupo Tangarás, passou a carreira solo interpretando sambas e músicas de carnaval, como; "O Orvalho Vem Caindo" (Noel Rosa / Kid Pepe), "Yes, Nós Temos Bananas" e "Touradas em Madri" (João de Barro/Alberto Ribeiro), entre outras.
"Na Pavuna", foi uma das mais famosas músicas de carnaval. Foi o primeiro biográfo do Poeta da Vila - Noel Rosa, produzindo para a Rádio Tupi do rio de Janeiro entitulado "No tempo de Noel Rosa", com histórias, depoimentos e interpretações de suas músicas.

ISMAEL SILVA
Nascimento - 14 de Setembro de 1905
Morte - 14 de março de 1978

Mílton de Oliveira Ismael Silva Aos quinze anos, Ismael compôs seu primeiro samba "Já Desisti". Já em 1925 realizou sua primeira gravação "Me Faz Carinho",  Formou ao lado de Francisco Alves - O Rei da Voz e Nilton Bastos formou o Trio "Bambas do Estácio", desta união surgiu o samba que é considerado um dos mais bonitos da história "Se você jurar". Com a morte do companheiro Nilton Bastos, faz parceria com Noel Rosa - O Poeta da Vila, tornando-se seu parceiro mais frequente.

Em 1928, com outros sambistas do Estácio, fundou a Primeira Escola de Samba "Deixa Falar", que desfilou nos carnavais de 1929, 1930 e 1931. Inclusive, o termo "Escola de Samba" foi batizado pelo próprio Ismael, quando indagado sobre uma Escola do Bairro, eclamou" - Lá é a esccola normal, aqui é a Escola de Samba, já que vai formar professores de samba."

Ismael se envolve em um crime, após atirar em Edu Motorneiro e é condenado a 05 anos de prisão, tendo cumprido apenas 02 anos por bom comportamento. Após sua libertação, só volta a cena da música por volta de 1950. Neste período teve seu samba "Antonico" gravado e que vem a ser um grande sucesso.

Veja este vídeo, Ismael Silva – ENSAIO - http://www.youtube.com/watch?v=2W3WP5HwyrY



Nilton Bastos
Nascimento -12 de julho de 1899
Morte - 8 de setembro de 1931

Foi um dos principais responsáveis pela estilização do samba (até os anos 30 era muito confudido com o MAXIXE). Desde muito cedo já frequentava as rodas de samba e os ranchos carnavelescos (Ameno Resedá, Flor do Abacate, etc). Ja em meados de 1920 frequentava os locais do samba que aconteciam no Estácio, e tinha como companheiros Ismael Silva, Baiaco, Bide, Brancura, Mano Rubem, etc.

Fez parte do Grupo "Bambas do Estácio", com Francisco Alves e Ismael Silva. Começou a compor com Ismael Silva, e por exigência deste foi incluído nas parcerias do trio.



Sinhô 
nasceu no Rio de Janeiro em 18 de setembro de 1888
morre em 04 de agosto de 1930

José Barbosa da Silva. Muito polêmico, geralmente era acusado de plagiar composições ou de "emprestar por tempo indeterminado"  músicas alheias, sempre alegava "Samba é como passarinho, é de quem pegar," acredita-se que por esse motivo foi o compositor que mais se preocupou com direitos autorais. Foi o mais reconhecido compositor  carioca de 1920 até agosto de 1930.

O Tinhorão (José Ramos Tinhorão - Crítico) acredita que Sinhô tenha inventado a Bosssa Nova com antencedência de 30 anos, ele utilizava as cordas maiores para fazer um acompanhamento à base de contratempos ritimicos. Foi considerado um dos mais bem humorados compositores nacionais do começo do século XX. Estudou flauta, piano e violão.

Animou bailes famosos como "Dragão Clube Universal" e o "Grupo Dançante Carnavalesco Tome a Bença da Vovó". Participava de todas as rodas de Samba da "Tia Ciata". Quanto a autoria de "Pelo Telefone", alem de ter reinvidicado para si a composição, que alegava ser cantado na casa de "Tia Ciata" como "O Roceiro", a compôs "Quem são eles", provocando os parceiros de "Pelo telefone".

Em 1921, compôs "Fala Baixo", uma satira ao presidente Artur Bernardes. Ficou conhecido como "O Rei do Samba". Seus grandes Sambas foram feitos em parceria com Heitor dos Prazeres ("Ora Vejam Só"; "Gosto Que Me Enrosco"), com quem brigou mais adiante por direitos auitorais.



Noel Rosa
Nasceu em 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, RJ
Morreu no Rio de Janeiro, em 04 de maio de 1937, aos 26 anos

Noel de Medeiros Rosa. Por problema em seu nascimento, os médios usaram fórcepes, causando-lhe a lesão no queixo. Aprendeu a tocar bandolin com sua mãe, passando posteriormente para o violão. Foi estudante de Medicina.

Sua mãe ficava muito preocupada com sua saúde. Certa vez, para que não saísse de casa, escondeu todas as suas roupas, e ela grita "Com que roupa?", pronto o primeiro sucesso, gravado para o carnaval de 1931. Até as brigas era motivo de inspiração. Talvez a mais famosa foi a briga com Wilson Batista (Você pode ver este vídeo em nossa página "CURIOSIDADES".

Noel era timido e recatado, tinha muita vergonha do problema físico decorrente de seu parto, não comia em público, isto inclusive foi documentado por Araci de Almeida em uma entrevista, Araci, foi a sua maior interprete. Vivia bebemo e compondo, o que debilitou ainda mais sua saúde. Tudo que ganhava, pouco por sinal, gastava com mulheres, bebidas e a boemia, acabou vitimado pela doença.

|Ficou conhecido como o Poeta da Vila. Participou do "Bando de Tanagarás"com outros grandes nomes da Música Popular Brasileira.

Bando de Tangarás - http://www.youtube.com/watch?v=26GAxh6_aKI

 Tem mais de 300 composições. Sua vida foi retratada em filmes, teatro. Quem trouxe Noel a tona novamente, na década em 1950, foi Almirante em seu programa de rádio. Teve como grande amor "Ceci", profissional que ganhava para ser acompanhante de dança em salões do Rio.

Uma de suas frases: "Se fosse presidente da República, abdicaria imediatamente, em favor de João Ninguém." (Noel rosa)

Ultimo Desejo (Noel Rosa) – Cena Final do filme “Noel, poeta da Vila”. Interpretada por Wilson das Neves. http://www.youtube.com/watch?v=LY08poPk7mU&feature=related

 Bondes do Rio no Filme “Isto é Noel Rosa” - http://www.youtube.com/watch?v=tM1sFJ6f6-o&feature=related


Adoniram Barbosa
 Nascimento Valinhos, 6 de agosto de 1910
Morte - São Paulo, 23 de novembro de 1982

João Rubinato, mais conhecido como Adoniran Barbosa, foi um compositor, cantor, humorista e ator brasileiro. Rubinato representava em programas de rádio diversos personagens, entre os quais, Adoniran Barbosa, o qual acabou por se confundir com seu criador dada a sua popularidade frente aos demais. Adoniran ficou conhecido nacionalmente como o pai do samba paulista.

O compositor e cantor tem um longo aprendizado, num arco que vai do marmiteiro às frustrações causadas pela rejeição de seu talento. Quer ser artista – escolhe a carreira de ator. Procura de várias maneiras fazer seu sonho acontecer. Tenta, antes do advento do rádio, o palco, mas é sempre rejeitado. Sem padrinhos e sem instrução adequada, o ingresso nos teatros como ator lhe é para sempre abortado. O samba, no início da carreira, tem para ele caráter acidental. Escolado pela vida, sabia que o estrelato e o bom sucesso econômico só seriam alcançados na veiculação de seu nome na caixa de ressonância popular que era o rádio. O magistral período das rádios, também no Brasil, criou diversas modas, mexeu com os costumes, inventou a participação popular – no mais das vezes, dirigida e didática. Têm elas um poder e extensão pouco comuns para um país rural como o nosso. Inventam a cidade, popularizam o emprego industrial e acendem os desejos de migração interna e de fama. Enfim, no país dos bacharéis, médicos e párocos de aldeia, a ascensão social busca outros caminhos e pode-se já sonhar com a meteórica carreira de sucesso que as rádios produzem. Três caminhos podem ser trilhados: o de ator, o de cantor ou o de locutor.

Discografia
Meus Momentos. Adoniran Barbosa
  EMI • CD - 1999

Adoniram Barbosa
  Editora Globo • CD - 1996

Adoniram Barbosa e convidados
  EMI • CD - 1993

Adoniram Barbosa- documento inédito
  Eldorado • LP - 1984

Adoniram Barbosa
  EMI-Odeon • LP - 1980

Adoniram Barbosa
  Odeon • LP - 1975

Pra que chorar
  RGE • 78 - 1958

Pafunça/Nois não os bleque tais
  RGE • 78 - 1958

Saudosa maloca/Samba do Arnesto
  Continental • 78 - 1955

Samba do Arnesto/Conselho de mulher
  Continental • 78 - 1952

Os mimosos colibris/Saudade da maloca
   Continental • 78 - 1951

Aqui Gerarda !/Juro, amor !
  CEME • 78 - [s/d]


Vadico 
Nascimento - São Paulo SP, em 24/6/1910
Morte - Rio de Janeiro RJ, em 11/6/1962

Osvaldo de Almeida Gogliano. Começou a se interessar por música aos dezesseis anos. Foi compositor, regente e instrumentista. em 1929, sua música "Deixei de ser otário" foi inserida no filme "Acabaram-se os otários", em 1930 o seu samba "Arranjei outra" foi gravado por Chico Alves. Já em 1931 muda-se para o Rio de Janeiro e teve seu samba "Silêncio" gravado por Luís Barbosa e Vitório Lattari. doi anos mais tarde é apresentado por Eduardo Souto a Noel Rosa, a primeira composição desta parceria foi "Feitio de oração", gravado por Chico Alves.
Em 1939 viajou com a orquestra Romeu Silva para os EUA. Retorna aos EUA em 1940, vai a Hollywood, passou a trabalhar com Carmem Miranda no filme filme Uma noite no Rio (That Nightin Rio, de Irving Cummings).
No ano seguinte foi chamado pela Universal Pictures, compôs para o filme "O samba Ioiô", continuou como pianista de Carmem Muirando e o Bando da Lua, também fez várias orquestrações em filmes que atuavam.

Assista este vídeo, NEGÓCIOS DE FAMÍLIA - Bando da Lua - http://www.youtube.com/watch?v=ERzD4d9ylC8
Seus principais parceiros foram Noel Rosa e Marino Pinto. Fez parte do conjunto "Os Copacabanas" e o "Fred's".

Discografia:

Vadico. Evocação III
  Eldorado • LP - 1980

Festa dentro da noite
  1959

Dançando com Vadico
  Continental • LP - 1956

Conversa de botequim/Duvidoso
  Continental • 78 - 1955

Tarzan o filho do alfaiate/Não sobra um pedaço
  Continental • 78 - 1955


Pé Rachado
Nascimento - São Paulo 13/06/1913
Morte - São Paulo 09/11/1990

Sebastião Eduardo do Amaral, também conhecido como Pé Rachado, foi um famoso sambista de São Paulo, presidente da Vai-Vai e da Barroca Zona Sul, escola do qual foi fundador.

Nascido em Varginha, Minas Gerais, com apenas 18 anos foi para São Paulo em busca de dias melhores para trabalhar no ofício de pedreiro nas grandes construtoras. Em Varginha aos 14 anos já organizava um bloco chamado "Voz do Morro"; ao chegar a São Paulo, deparou-se no bairro do Bixiga, que na época que acabara de dar luz ao Cordão Vai-Vai.

Como havia poucos instrumentos na bateria, Pé só ingressou um ano depois, em 1931, onde iniciou tocando contra-surdo e posteriormente tornou-se apitador da bateria. Com seu jeito organizador se tornou o primeiro presidente da alvinegra da Bela Vista e expulsou os maus elementos do samba, já que na época a marginalidade era forte e precisava de um grande líder. Pé brigou até com Patonágua (maior apitador dos tempos de cordão) que apesar de ser ótimo de ouvido era péssimo em disciplina. Pé Rachado se tornou uma das principais personalidades da história da alvinegra do Bixiga, e foi ele quem deu oito campeonatos ao Vai-Vai de 60 a 67, um marco histórico no carnaval de São Paulo. Ajudou a fundar a Confederação das escolas de samba e cordões e posteriormente a Federação. Além da Vai-Vai, Pé desde Minas tinha uma paixão, a Estação Primeira de Mangueira, do Rio, onde foi batuqueiro e diretor de harmonia aprendendo muito, inclusive em matéria de ritmo e desenvolvimento de carnaval.

Porém, intrigas no início dos anos 70 fizeram com que Pé nomeasse José Jambo Filho (Chiclé) como presidente em 1972, e em 1973 definitivamente se afastou da Vai-Vai.

Ao se afastar da Vai-Vai, Pé Rachado andou por muitas escolas com seus seguidores: em 74 desfilaram na Camisa Verde e Branco, onde foram campeões, prometendo a si próprios que montariam uma escola de samba diferente. Depois do desfile, Pé Rachado ficou um bom tempo no Rio de Janeiro, no Morro da Mangueira, em parceria do seu grande amigo Cartola, que o incentivou a fundar uma escola, pois segundo ele, um grande sambista tinha que ter a sua escola.

Na noite de 7 de agosto de 1974, Pé Rachado reuniu antigos membros da Vai-Vai, além de outros sambistas da Vila Mariana em sua casa, para fundar a escola Barroca Zona Sul, da qual também foi seu primeiro presidente.


ROBERTO MARTINS
Nasceu no Rio no dia 29 de janeiro de 1909
Morreu em 14 de março de 1992

A dimensão de Roberto Martins na música brasileira não é tão reconhecida, principalmente o "sincopado", que infelizmente é mais conhecido pelas músicas do que pelo próprio nome. Francisco Alves gravou o seu maior sucesso "Favela" (Roberto Martins e Valdemir Silva) em 1936. Pode facilmente ser colocado ao lado de Braguinha e Lamartino Babo, quando falamos em marchas de carnaval, é dele por exemplo "Cordão dos Puxa Sacos".
 
Deixou o emprego na polícia para ser ritmista da orquestra de Simon Boutman nos anos 30. Em 1943, em parceria com Mario Rossi veio "Beija-me" que foi gravada por Ciro Monteiro. também foi parceiro de Mario Lago na valsa "Dá-me tuas mãos" gravado por Orlando Silva.

Assista o vídeeo - "Beija-me" com Zeca Pagodinho - http://www.youtube.com/watch?v=Y2bES6iwUSQ

Obra



HENRICÃO
Nascimento - 11/1/1908 Itapira, SP 

Morte - 11/6/1984 Rio de Janeiro - RJ.

Henrique Felipe da Costa. Foi o descobridor de Carmen Costa, com quem formou dupla desde 1938 até o início dos anos 1940. Com ela apresentou-se em várias feiras de amostras e gravou alguns sucessos como "Onde está o dinheiro", dele próprio, "Dance mais um bocado", dele e Príncipe Pretinho, grande sucesso em 1940 e "Samba, meu nego", de Buci Moreira e Miguel Bastos. Compôs com Nelson Cavaquinho e Rubens Campos o primeiro samba gravado por Nelson Cavaquinho: "Não faça a vontade a ela". É autor de vários sucessos gravados por Carmen Costa, como "Só vendo que beleza", em parceria com Rubens Campos, sucesso em 1942 e "Está chegando a hora", também em parceria com Rubens Campos, música que se tornou um dos maiores sucessos de carnaval de todos os tempos, além de ser cantada pelas torcidas dos times vencedores em jogos de futebol, vôlei e basquete, quando a partida está terminando. "Está chegando a hora" é uma versão para a música mexicana "Cielito Lindo" e foi duramente criticada por Ary Barroso, por constituir, segundo ele, plágio. Seu parceiro, Rubens Campos, respondeu à crítica ao autor de "Aquarela do Brasil", afirmando que também ele havia plagiado "Smillin through", de Arhur Penn, para compor "Na virada da montanha", e que "Upa! Upa! (Meu Trolinho)", era plágio de "La Fiacre", de Jean Sablon.

Henrique Filipe da Costa foi o primeiro compositor da Escola de Samba Vai Vai , o Henricão, que compôs o samba de 1928: "Quem vive aborrecido distrai no Bloco Carnavalesco Vai Vai". Também de sua autoria foi o samba de 1929, que dizia "O Vai Vai na rua faz tremer a Terra / Quem está ouvindo e não vê / Chega a pensar que é guerra". Nos anos 1980, Henricão viria a ser o primeiro Rei Momo negro do carnaval paulistano.

Discografia

Henricão. Recomeço
  Estúdio Eldorado • LPn - 1980

Vai meu amor/Resolve na hora
  Chantecler • 78 - 1959

Roda de trem/Vê se me esquece
  Todamérica • 78 - 1954

O trem da cantareira/Que mal eu fiz?
  Todamérica • 78 - 1951

Não sou de briga/Adeus pampa mia!
  Continental • 78 - 1948

Sou eu/Ingratidão do Nozinho
  Continental • 78 - 1947

Dever de um brasileiro
  Victor • 78 - 1943

A festa é boa
  Victor • 78 - 1943

Depois que ela partiu
  Victor • 78 - 1942

Dance mais um bocado/Não quero conselho
  Columbia • 78 - 1940

Onde está o dinheiro/Não dou motivo
  Odeon • 78 - 1939

Pra que tanto ciúme/Qual foi o mal que te fiz
  Odeon • 78 - 1938

Noiô, Noiô/Chora meu Goguê
  Odeon • 78 - 1937

Companheira do meu penar/Peteca do destino
  Odeon • 78 - 1937

Nélson Cavaquinho
Nascimento- Rio de Janeiro – 29/10/1911
Morte – Rio de Janeiro – 18/02/1986

Nelson Antônio da Silva. foi um importante músico brasileiro. Sambista carioca, compositor e cavaquinista na juventude, na maturidade optou pelo violão, desenvolvendo um estilo inimitável de tocá-lo, utilizando apenas dois dedos da mão direita.

Seu envolvimento com a música inicia-se na família. Seu pai, Brás Antônio da Silva, era músico da banda da Polícia Militar e seu tio Elvino tocava violino. Depois, morando na Gávea, passou a frequentar as rodas de choro. Foi nessa época que surge o apelido que o acompanharia por toda a vida.

Sua primeira canção gravada foi "Não Faça Vontade a Ela", em 1939, por Alcides Gerardi, mas não teve muita repercussão. Anos mais tarde foi descoberto por Cyro Monteiro que fez várias gravações de suas músicas. Começou a se apresentar em público apenas na década de 1960, no Zicartola, bar de Cartola e Dona Zica no centro do Rio. Em 1970 lançou seu primeiro LP, "Depoimento de Poeta", pela gravadora Castelinho.

Deixou mais de quatrocentas composições, entre elas clássicos com "A Flor e o Espinho" e "Folhas Secas", ambas em parceria com Guilherme de Brito, seu parceiro mais frequente. Por falta de dinheiro, depois de deixar a polícia, Nelson eventualmente "vendia" parcerias de sambas que compunha sozinho, o que fez com que Cartola optasse por abandonar a parceria e manter a amizade.

Discografia
Nelson Cavaquinho - Cem Anos - Degraus da Vida (vários)
  EMI Music • CD - 2011

Nome sagrado - Beth Carvalho canta Nelson Cavaquinho
  Jam Music • CD - 2001

Mangueira - samba de Terreiro e outros sambas
  Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro
  CD - 2000

Quando eu me chamar saudade
  EMI/Odeon • CD - 1996

Nelson Cavaquinho
  RCA Victor • CD - 1996

As flores em vida
  Gravadora Eldorado • LP - 1985

Cartola - verde que te quero rosa
  RCA Victor • LP - 1977

Quatro grandes do samba
  RCA Victor • LP - 1977

Roda de samba nº 2 
  CID • LP - 1974

Nelson Cavaquinho. Depoimento do poeta
  Relançamento pela Continental • LP - 1974

Nelson Cavaquinho
  Odeon • LP - 1974

Nelson Cavaquinho
  Odeon • LP - 1973

Série documento
  RCA Victor • LP - 1972

Nelson Cavaquinho - depoimento do poeta
  Selo Castelinho • LP - 1970

Fala Mangueira
  (c/ Cartola, Clementina de Jesus e Carlos Cachaça)
  LP - 1968

Thelma Costa
  CBS • LP - 1966


Wilson Batista
Nascimento – Campos 03/07/1913
Morte – Rio de Janeiro 07/07/1968

Wilson Baptista de Oliveira. No final da década de 1920, transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro. Passou então a freqüentar os cabarés da Lapa e o Bar Esquina do Pecado, na Praça Tiradentes, pontos de encontro de marginais e compositores, tornando-se amigo dos irmãos Meira, malandros famosos da época, cuja amizade lhe valeu várias prisões. A seguir, começou a trabalhar como eletricista e ajudante de contra-regra no Teatro Recreio.

Com 16 anos, fez seu primeiro samba, Na estrada da vida, lançado por Aracy Cortes no Teatro Recreio e gravado em 1933 por Luís Barbosa. Acredita-se que sua primeira parceria tenha se dado com o compositor José Barbosa da Silva, o Sinhô, no samba de breque Mil e Uma Trapalhadas, cuja gravação aconteceu apenas na década de 60, pelo cantor Moreira da Silva. Seu primeiro samba gravado foi Por favor, vai embora (com Benedito Lacerda e Osvaldo Silva), pela Victor, na interpretação de Patrício Teixeira, em 1932. A partir de então, passou a fazer parte da Orquestra de Romeu Malagueta, como crooner e ritmista (tocava pandeiro).

Sempre frequentando o mesmo ambiente de boemia, fez a apologia do malandro no seu samba Lenço no pescoço, já gravado em 1933 por Sílvio Caldas, que deu início à famosa polêmica com Noel Rosa (Noel Rosa X Wilson Batista), o qual respondeu no mesmo ano com Rapaz folgado, contestando a identificação do sambista com o malandro. Sua réplica a Noel veio no samba Mocinho da Vila. Fora do contexto da polêmica, Noel Rosa e Vadico compõem o Feitiço da Vila. No Programa case, Noel improvisa (sem gravar) duas novas estrofes para o Feitiço da Vila e, em cima dos novos versos, Wilson compõe Conversa fiada, ao qual Noel contrapôs, em 1935, o samba Palpite Infeliz. O caso terminou com dois sambas seus, Frankenstein da Vila e Terra de cego, que não tiveram resposta. Os dois polemistas conheceram-se entre um e outro desafio e tornaram-se amigos. As músicas dessa polêmica foram reunidas, em 1956, num LP de dez polegadas da Odeon, cantadas por Roberto Paiva e Francisco Egídio - Polêmica

Em 1933, Almirante gravou sua batucada Barulho no beco (com Osvaldo Silva) e três intérpretes (Francisco Alves, Castro Barbosa e Murilo Caldas) divulgaram seu samba Desacato (com Paulo Vieira e Murilo Caldas), que fez muito sucesso.

Boêmio até o fim da vida, nos seus últimos anos trabalhou como fiscal da UBC (União Brasileira de Compositores), entidade que ajudou a criar.

Discografia
Coleção Funarte - Wilson Batista
   Itaú Cultural

Tributos

Ganha-Se Pouco, Mas É Divertido
  Cristina Buarque Canta Wilson Batista
  Jam Music – 2000

Wilson Batista, O Samba Foi Sua Glória
  Joyce E Roberto Silva
  Funarte – 1985

Noel Rosa X Wilson Batista
  Série Temas E Figuras Da Música Popular Brasileira
  Vol. 1 - Roberto Paiva E Jorge Veiga
  Studio Hara – 1974

Polêmica - Wilson Batista X Noel Rosa
  Roberto Paiva E Francisco Egydio
 Odeon - 1956

  
Dalva de Oliveira
Nascimento - Rio Claro, 5 de maio de 1917
Morte - Rio de Janeiro, 31 de agosto de 1972
Rainha da Voz

Vicentina de Paula Oliveira, conhecida como Dalva de Oliveira, foi uma cantora brasileira. De voz afinada, e bela, considerada a Rainha da Voz ou o rouxinol brasileiro, sua extensão vocal ia do Contralto ao Soprano. Em 1937, a Dalva gravou, junto com a Dupla Preto e Branco, o batuque Itaquari e a marcha Ceci e Peri, ambas do Príncipe Pretinho. O disco foi um sucesso, rendendo várias apresentações nas Rádios. Foi César Ladeira, em seu programa na Rádio Mayrink Veiga, que pela primeira vez anunciou o Trio de Ouro. Em 1949 deixou o trio, quando excursionavam pela Venezuela com a Companhia de Dercy Gonçalves. Em 1951 retomou a carreira solo, lançando os sambas Tudo acabado (J. Piedade e Osvaldo Martins) e Olhos verdes (Vicente Paiva) e o samba-canção Ave Maria (Vicente Paiva e Jaime Redondo), sendo os dois últimos grandes sucessos da cantora. No ano seguinte foi eleita Rainha do Rádio, e excursionou pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires, na qual conheceu Tito Clement, que se tornou seu empresário e depois marido, pai de sua filha, como mencionado anteriormente. Ainda em 1951, filmou Maria da praia, dirigido por Paulo Wanderley, e Milagre de amor, dirigido por Moacir Fenelon.

No dia 18 de agosto de 1965, sofreu um acidente automobilístico na cidade do Rio de Janeiro, que resultou na morte por atropelamento de três pessoas.

Três dias antes de morrer, Dalva pressentiu o fim e, pela primeira vez, em sua longa agonia de quase três meses, falou da morte. Ela tinha um recado para sua amiga Dora Lopes, que a acompanhou no hospital: "Quero ser vestida e maquiada, como o povo se acostumou a me ver. Todos vão parar para me ver passando". Ela faleceu em 30 de agosto de 1972, vítima de uma hemorragia interna provavelmente causada por um câncer. A cantora viveu o apogeu nos anos 30, 40 e 50.

Dalva de Oliveira canta "Estrela do Mar" (1952) - Composição: Paulo Soledade e Marino Pinto
(2006) Canta Dalva • Revivendo • CD; (2000) Dalva de Oliveira, Roberto Inglês e sua orquestra • Revivendo • CD; (1997) A Rainha da Voz • EMI • CD; (1995) Dalva de Oliveira • CD; (1993) Dalva de Oliveira (Saudade...) • Revivendo • CD ;(1993) Trio de Ouro • Revivendo • CD ;(1988) Dalva de Oliveira, Roberto Inglês e sua orquestra • EMI/Revivendo • LP ;(1987) Dalva de Oliveira • Collector's • LP ;(1982) Dalva de Oliveira especial, vol. 1 • Odeon • LP ;(1980) Grossas nuvens de amor • Odeon • LP ;(1973) O amor é o ridículo da vida • Odeon • LP ;(1973) Dalva em recital no Teatro Senac • Odeon • LP ;(1970) Bandeira branca • Odeon • LP ;(1968) É tempo de amar • Odeon • LP ;(1967) A cantora o Brasil • Odeon • LP ;(1965) Rancho da Praça Onze • Odeon • LP ;(1963) Uma vez mais, perguntarão/Há meia hora apenas • Odeon • 78 ;(1963) Tangos - Volume II • Odeon • LP ;(1962) Nem Deus, nem ninguém/Sabor a mim • Odeon • 78 ;(1962) Arco-íris/Amor próprio • Orion • 78 ;(1962) O encantamento do bolero • Odeon • LP ;(1961) Nossa vida/Eu e o samba • Odeon • 78 ;(1961) Tangos • Odeon • LP ;(1961) Dalva de Oliveira • Odeon • LP ;(1960) Meu rio/Triste oração • Odeon • 78 ;(1960) Eu tenho um pecado novo/Preciso de alguém • Odeon • 78 ;(1960) Em tudo você • Odeon • LP ;(1959) Doce mentira (Com Lila Margarida)/Tango da saudade • Odeon • 78 ;(1959) Minha mãe/minha estrela/Amor de mãe • Odeon • 78 ;(1959) Minha mãe • Odeon • 78 ;(1959) Velhos tempos/Foge de mim • Odeon • 78 ;(1959) Se ao menos eu sonhasse/Vida da minha vida • Odeon • 78 ;(1959) Dalva de Oliveira canta boleros • Odeon • LP ;(1958) Não devo insistir/Marimba • Odeon • 78 ;(1958) Passe na segunda-feira/Marinheiro • Odeon • 78 ;(1958) Dalva • Odeon • LP ;(1957) Nada/Prece de amor • Odeon • 78 ;(1957) Sus ojos se cerraron/Yira, Yira • Odeon • 78 ;(1957) Há um deus/Serei só tua • Odeon • 78 ;(1957) Eu errei, confesso/Belezas do Rio • Odeon • 78 ;(1957) Intriga/Sonho de pobre • Odeon • 78 ;(1957) Os tangos mais famosos na voz de Dalva de Oliveira • Odeon • LP ;(1956) Lencinho querido/Confesion • Odeon • 78 ;(1956) Natal de nossa terra/Lalalu • Odeon • 78 ;(1956) A rosa e o beija-flor/Tatuado • Odeon • 78 ;(1955) Baião do Havaí/Fadinho triste • Odeon • 78 ;(1955) Eterna saudade/Não pode ser • Odeon • 78 ;(1955) Fumano espero/Quinze primaveras • Odeon • 78 ;(1955) Carnaval, carnaval/Foi bom • Odeon • 78 ;(1955) Prece/Saia do caminho • Odeon • 78 ;(1955) Teu castigo/Neste mesmo lugar • Odeon • 78 ;(1954) Estudantina portuguesa/Adeus mãezinha • Odeon • 78 ;(1954) É hoje/Chama do nosso amor • Odeon • 78 ;(1954) Lagoa serena/Vida de poeta • Odeon • 78 ;(1952) Bahia feliz/Doce inimigo • Odeon • 78 ;(1952) Meu rouxinol • Odeon • 78 ;(1952) Vai na paz de Deus/Mulher • Odeon • 78 ;(1951) Rio de Janeiro/Calúnia • Odeon • 78 ;(1951) Sebastiana da Silva/Palhaço • Odeon • 78 ;(1951) Esta noite serenou/A grande verdade • Odeon • 78 ;(1951) Estrela do mar/Boa noite • Odeon • 78 ;(1951) Se o amor tem raízes/Eu sou Exu • Odeon • 78 ;(1951) Prece ao Senhor do Bonfim/Poeira do chão • Odeon • 78 ;(1950) Olhos verdes/Tudo acabado • Odeon • 78 ;(1950) Sertão do Jequié/Que será • Odeon • 78 ;(1950) Errei sim/Segundo andar • Odeon • 78 ;(1950) Ave-Maria/Mentira de amor • Odeon • 78 ;(1950) Casamento do papai/Chorei, chorei, sim • Odeon • 78 ;(1950) Zum-zum/Consolação • Odeon • 78 ;(1948) Quarto vazio/Nossas vidas • Odeon • 78 ;(1947) Segredo • Odeon • 78 ;(1945) Simplicidade • Odeon • 78 ;(1943) Grande desilusão/Coração de mulher • Odeon • 78 ;(1943) Salve 19 de abril! • Odeon • 78 ;(1943) Babalu/Sina triste • Odeon • 78 ;(1941) Valsa da despedida • Columbia • 78 ;(1940) Mesma história/Menina do vestido branco • Columbia • 78 ;(1940) Tudo tem o Brasil! • Columbia • 78 ;(1940) Caçador de esmeraldas • Columbia • 78 ;(1940) Estrela d'Alva • Columbia • 78 ;(1939) Negro está sambando/Alvorada • Columbia • 78 ;(1939) Brasil!/Acorda Estela! • Columbia • 78 ;(1939) África/Quem é que não chora? • Columbia • 78 ;(1939) Onde Margarida mora/Na Turquia • Columbia • 78 ;(1938) Iaiá baianinha/Batuque no morro • Odeon • 78 ;(1938) Quem mora na lua!/Madalena se zangou • Odeon • 78 ;(1937) Itaquari/Ceci e Peri • Victor • 78 ;(1937) Estou triste com você • Victor • 78.

Riachão
Nascimento – Salvador, 14/11/1921

Clementino Rodrigues. é um sambista do Brasil, um dos mais reconhecidos do país, ao lado de Nelson Sargento, Dona Ivone Lara e mais alguns outros da velha guarda.

Aos 9 anos já cantava nas serenatas, nos aniversários ou nas batucadas com os amigos do bairro. Batucava em latas de água onde tamborilava seus sambas. A primeira composição veio aos 12 anos, um samba sem título que dizia: "Eu sei que sou moleque, eu sei, conheço o meu proceder/ Deixe o dia raiar que a minha turma, ela é boa para batucar".

Riachão teve várias das suas músicas interpretadas por cantores nacionais, uma das mais conhecidas foi Vá Morar com o Diabo, cantada por Cássia Eller.

Aos 23 anos de idade já cantava, em conjunto com um trio, na rádio Sociedade em um programa de auditório. Sua estadia no grupo não dura muito tempo, e parte para carreira solo, para interpretar sambas, em especial Dorival Caymi. Na década de 50, já no Rio de Janeiro, têm três sambas seus gravados por Jackson do Pandeiro.

Sua marca registrada: o samba irreverente e sambas maliciosos. Gil e Caetano quando voltam do exílio, gravam de autoria de Riachão “Cada macaco em seu galho”, que se torna grande sucesso nacional.

Discografia

Humanenochum
  Independente CD - 2000

Diplomacia
  EMICD - 1998

Samba da Bahia
  com Batatinha e Panela
  Philipis – 1973

Sonho de Malandro
  Tapecar – 1981

Riachão
  Caravelas – 2001


Marília Batista – Princesinha do Samba

Nascimento -Rio de Janeiro 13/04/1918
Morte - Rio de Janeiro 09/07/1990

Marília Monteiro de Barros Batista (Rio de Janeiro, 13 de abril de 1918 — 9 de julho de 1990) foi uma cantora, compositora e instrumentista brasileira.

Uma das mais importantes intérpretes da obra de Noel Rosa, que gravou com ela em dupla seis de suas composições: De Babado, Cem Mil Réis, Provei, Quantos Beijos, Você Vai Se Quiser e Quem Ri Melhor. Em 1940, após a morte do compositor, lançou o seu Silêncio de Um Minuto, um clássico. Dona de timbre grave característico, ela mesma compositora de recursos, dedicou-se a divulgar preferencialmente a obra de Noel Rosa. De sua própria autoria é, por exemplo, o samba Menina Fricote, imortalizado em disco por Araci de Almeida:

Não sei que doença deu na Risoleta
Que agora só gosta de ouvir opereta
Está cheia de prosa, cheia de orgulho, cheia de chiquê
E faz fricote como o quê.
Não canta mais samba
Só quer imitar Lucienne Boyer:
Parlez-moi d´amour...
Só quer l´argent, l´argent toujours.
(Menina Fricote, de Marília e Henrique Batista, trecho)

Carioca, estudou teoria, solfejo e piano no Instituto Nacional de Música. Desde cedo compunha suas próprias canções, e cantava em reuniões. Mais tarde resolveu estudar violão clássico. Na década de 30 conheceu Noel Rosa, Almirante e Luiz Peixoto, e acabou gravando um disco pela Victor, com músicas suas em parceria com o irmão Henrique Batista.

Contratada pela Rádio Philips, fez sucesso no programa de Adhemar Casé, se apresentando ao lado de Noel Rosa, com quem gravou um disco. Tocou também com o regional de Benedito Lacerda e gravou em torno de 30 discos ao longo de sua carreira. Foi uma das mais importantes intérpretes da obra de Noel Rosa, além de divulgadora de seu trabalho. Entre as suas gravações de sambas do Poeta da Vila estão "De Babado" (com João Mina, um grande sucesso da dupla Marília-Noel), "Cem Mil-réis" (com Vadico), "Quem Ri Melhor", "Você Vai Se Quiser", "Provei" (com Vadico), "Silêncio de um Minuto" e "Tipo Zero".


Discografia

(1996) História Musical de Noel Rosa por Marília Batista • vols. 1 e 2 • CD
(1963) História Musical de Noel Rosa (Marília Batista com orquestra) • Nilser • LP
(1962) Marília Batista com orquestra • Musidisc • LP
(1961) Rio, 61/Bossa do futuro • Copacabana • 78
(1956) Vila dos meus amores/Você não é feliz porque não quer • Musidisc • 78
(1956) Tipo zero/Nunca mais • Musidisc • 78
(1954) Poeta da Vila Nº 1 • Discos Rádio • LP
(1954) Marília Batista com orquestra • Musidisc • LP
(1953) Marília Batista com Orquestra Rádio e trio vocal • Rádio • LP
(1952) Samba e outras coisas • Musidisc • LP
(1951) Lamento/Tamborim batendo • Carnaval • 78
(1944) Liberdade/Salão azul • Victor • 78
(1940) Adão carnavalesco • Victor • 78
(1940) Amendoim torradinho/Silêncio de um minuto • Victor • 78
(1940) No samburá da baiana/Vai andar • Victor • 78
(1936) De babado/Cem mil réis • Odeon • 78
(1936) Provei/Você vai se quiser • Odeon • 78
(1936) Quem ri melhor/Quantos beijos • Victor • 78
(1932) Me larga!/Pedi, implorei • Victor • 78
(1932) Enquanto eu viver na orgia/Eu sou feliz • Victor • 78


Guilherme de Brito
Nascimento – Vila Isabel – Rio de Janeiro 03/01/1922
Morte – Rio de Janeiro – 26/04/2006

Guilherme de Brito Bollhorst. Nasceu no bairro de Vila Isabel, filho de Alfredo Nicolau Bollhorst e Marieta de Brito Bollhorst. Aos oito anos ganhou um cavaquinho e aos doze anos, com a morte do pai, largou os estudos e conseguiu um emprego na Casa Edison. Com o tempo passou a utilizar mais o violão. Já tinha uma boa produção de músicas quando, em 1955, o cantor Augusto Calheiros gravou um compacto com dois de seus sambas: "Meu dilema" e "Audiência divina". Ainda nos anos 1950, conheceu o seu grande parceiro, Nélson Cavaquinho.

Considerado por muitos como o grande poeta do samba, fez versos definitivos como "Tire o seu sorriso do caminho/ que eu quero passar com a minha dor", de "A flor e o espinho". Ou mesmo "Quando eu piso em folhas secas/Caídas de uma mangueira", de "Folhas secas".

Guilherme de Brito gravou pela primeira vez em 1977.

Discografia

A flor e o espinho

  Lua Discos - CD - 2003

Samba guardado
  Lua Discos - CD - 2001

Nome sagrado - Beth Carvalho canta Nelson Cavaquinho
  Jam Music - CD - 2001

Velhas companheiras
  Tanaka - CD - 2000

Velha-guarda da Mangueira
   Nikita Music - CD - 1999

Casa de samba 2
  Universal Music - CD – 1997

Folhas secas
  RioArte Digital -CD - 1996

Guilherme de Brito
   Estúdio Eldorado - LP - 1980

Quatro grandes do samba
   c/ Elton Medeiros, Candeia e Nelson Cavaquinho
   RCA Victor LP - 1977

Nelson Cavaquinho
  Odeon - LP - 1973


Vassourinha
Nascimento – São Paulo 16 de maio de 1923
Morte – 31/07/1942 ou 03/08/1942
Fonte de pesquisa: http://www.samba-choro.com.br/artistas/vassourinha

Mário Ramos de Oliveira. No dia 10 de novembro de 1936, aos 12 anos de idade, foi admitido na rádio como contínuo, com salário de cem mil réis, no horário das 8 às 18 horas. À noite apresentava-se nos programas da emissora. Antes, em 1935, havia participado do filme "Fazendo Fita", último trabalho do diretor italiano Vittorio Capellaro, no qual se destacavam Alzirinha Camargo e a dupla Alvarenga e Ranchinho.

Ele começou cantando com o nome de Juracy, nome que servia tanto para homem como para mulher, já que sua voz tendia para timbres agudos, infantis.

Houve um momento em que o nome Juracy já não lhe cabia bem, sendo necessário um apelido artístico mais convincente. Na Record, lembraram-se de um motorista de táxi (naquela época, chofer de praça) que havia em São Paulo, no Largo do Paissandu, cujo apelido era “Vassoura”. Negro muito alegre (“de risada escandalosa”, dizem os que o conheceram), ele havia conquistado essa alcunha pelo fato de, altas horas da noite, levar para casa os últimos freqüentadores do Ponto Chic, que, na ocasião, era o reduto da grã-finagem de São Paulo. Ou seja, este motorista “varria” os retardatários do Ponto Chic. Figura muito popular na capital paulista, “Vassoura” seria imediatamente lembrado ao se precisar de um nome artístico eficiente para o jovem Mário Ramos de Oliveira. Passaram então a inventar que Mário era filho do “Vassoura” – e assim ficou Vassourinha.

Em meados de 1941, Vassourinha gravava seu primeiro 78 rpm. Tinha cinco anos de rádio e dezessete de idade. “Seu Libório” e “Juracy”, desse disco lançado em 23 de julho de 1941, conquistaram extraordinário sucesso em todo o Brasil. Tinham no acompanhamento Chiquinho e seu ritmo. Na mesma sessão de gravação, Vassourinha havia gravado mais duas músicas, ao que tudo indica, “Emília” (de Haroldo Lobo e Wilson Batista) e “Ela vai à feira” (de Roberto Roberti e Almanyr Greco), que seriam lançadas em um 78 rpm dois meses depois, em 19 de setembro. Nem bem as duas primeiras músicas haviam se projetado como sucesso nacional, “Emília” também estourava, aumentando ainda mais o prestígio de Vassourinha e tornando-se o número mais característico de seu repertório. Em novembro, o cantor é chamado novamente ao Rio para gravar mais quatro músicas, ou como se dizia na época “quatro faces”. Registrou quatro músicas para o Carnaval de 1942: “Chik, chik, bum” (marcha de Antônio Almeida), “Apaga a vela” (marcha de João de Barro), “Olga” (samba de Alberto Ribeiro e Satyro de Mello) e “Tá gostoso” (marcha de Alberto Ribeiro e Antônio Almeida) que foram lançadas simultaneamente em dois discos em 3 de dezembro de 1941.

A causa da morte de Vassourinha é até hoje desconhecida. Na baixa de sua ficha na Rádio Record, consta como tendo sido 31 de julho de 1942 a data de seu falecimento. Raul Duarte, porém, dizia ser 3 de agosto a data correta. O certo, enfim, é que desaparecia, aos 19 anos de idade, uma das maiores revelações de todos os tempos da música popular brasileira.

Suas 12 gravações – reunidas em um LP da Continental em 1976 - foram relançadas recentemente em CD na coleção "Arquivos Warner".

Assista vídeo:


Discografia
E o juiz apitou/Amanhã eu volto
  Columbia 78 - 1942
Amanhã tem baile/Volta pra casa Emília
  Columbia -78 - 1942

Seu Libório/Juraci
  Columbia -78 -1941

Emília/Ela vai à feira
  Columbia - 78 - 1941

Chik chik bum/Apaga a vela
  Columbia - 78 - 1941

Olga/Tá gostoso
  Columbia 78 - 1941

Batatinha

Nascimento - Salvador, 5 de agosto de 1924
Morte - Salvador, 3 de janeiro de 1997


Oscar da Penha, O Diplomata do Samba Baiano. Sua carreira artística começa no rádio Sociedade em 1944 no programa ”Campeonato do Samba”. Alem de cantar suas composições cantava também muitas composições de Vassourinha. Em 1960 tem um Samba gravado por Jamelão “Jajá de gamboa”. Neste mesmo ano tem sua música “Diplomacia”, incluída na trilha sonora do filme “Barravento” de Glauber Rocha. Maria Bethania foi a primeira pessoa a trazer nacionalmente o nome de Batatinha, gravando suas composições.

Enquanto muitos artistas baianos, em busca do sucesso, migravam para o Sul do país, ele permaneceria em sua Salvador, no seu Pelourinho, freqüentando tranqüilamente as suas rodas de sambas e boêmias com os amigos. Era uma pessoa desprovida de ambições na vida, nasceu pobre e morreu pobre. Formava com o alegre Riachão, sua antítese no comportamento musical, com Panela (também falecido no anonimato), e mais tarde com os mais jovens companheiros, como Edil Pacheco, Ederaldo Gentil, Tião Motorista e Walmir Lima, o QG de resistência do samba na Bahia.

Em 1968 grava seu primeiro disco, um compacto duplo “Batatinha, Futebol Clube”. Veja o comentário de Paulinho da Viola no disco intitulado Samba da Bahia, "felicidade para aqueles que têm o privilégio de estar perto dele e conhecê-lo. Eu o coloco ao lado de um Nelson Cavaquinho e um Cartola....Batata, sinto um prazer imenso em ser seu amigo..."

No dia 3 de janeiro de 1997, aos 72 anos, morreria de um câncer fulminante na próstata, o velho Batatinha, o Diplomata do Samba Baiano.

Discografia

Diplomacia

EMI – CD - 1997

Batatinha, 50 anos de samba
CD - 1993

Toalha da saudade
 LP- 1976

Samba da Bahia
Selo Fontana – LP - 1975

Batatinha e Companhia Ilimitada
Selo JS Discos - LP- 1969


GERALDO FILME
Nascimento - São João da Boa Vista, 1928
Morte - São Paulo, 5 de janeiro de 1995

Compôs o primeiro samba (Eu Vou Mostrar) com 10 anos de idade. Sua mãe fundou o primeiro cordão carnavalesco formado só por mulheres negras, que futuramente iria se transformar na Escola de Samba Paulistano da Glória.

Geraldo tem o nome ligado à história do Carnaval Paulista. Respeitado e querido por todas as escolas, marcou presença na Unidos do Peruche, para quem compôs sambas-enredo, mas é lembrado principalmente por sua ligação com a Vai-Vai. O samba "Vai no Bexiga pra Ver" tornou-se um hino da escola, e "Silêncio no Bexiga" homenageia um célebre diretor de bateria da Vai-Vai, o Pato Nágua. Com o samba-enredo “"Solano Trindade, Moleque de Recife" levou a escola ao título de campeã.

Um grande conhecedor da história de São Paulo, Geraldo pesquisou e compôs o samba "Tebas" que conta a história da origem desse termo que significava "o bom" ou "o melhor" e era muito usado pelos paulistanos no século passado. A origem desse termo se dá devido a um escravo que conseguiu sua carta de alforria por ser um grande conhecedor de alvenaria e hidráulica, sendo o responsável pela construção das torres da Catedral da Sé e da canalização dos esgotos da região central da cidade. Foi dele o primeiro casamento na catedral após a construção das torres. Ele construiu também um chafariz no centro da cidade. Ambas autorias não são lembrados pelas autoridades.

Discografia

Nas Quebradas do Mundaréu
   com Zeca da Casa Verde E toniquinho Batuqeiro
   Continental Discos – LP - 1974

Geraldo Filme
   Studio Eldorado - LP - 1980

O Canto dos Escravos
   Com Clementina de Jesus e Doca
   Eldorado LP -1982

Beth Carvalho canta o samba de São Paulo, volume I
   Gravadora Velas - CD - 1994



OSVALDINHO DA CUÍCA
Nascido em1940 no bairro do Bom Retiro - São Paulo – SP.

Sambista, ritmista, passista, cantor e compositor, Osvaldinho da Cuíca é o autêntico representante de uma arte popular que transita entre a tradição e a contemporaneidade.

Osvaldo Barros. Osvaldinho mantém um transito muito pelo cenário artístico brasileiro. Atuou em programas de rádio, televisão, em gravações, shows e festivais, alem de acompanhar os mais populares artistas de consagração nacional. Com sua cuíca torna-se um ícone dos percussionistas e músico em geral, se transforma em um grande vetor da história do samba através de seu empenho no resgate, preservação e difusão do samba, neste sentido foi eleito o “Embaixador Nato do samba Paulista” e o Primeiro “Cidadão Samba de São Paulo” em 1974.

Durante o ano de 1959 dedicou-se a cultura afro-brasileira, tendo participado também da trilha sonoro de “Orfeu Negro”, alem de ter sido integrante do grupo folclórico de Luiz Carlos de Barbosa Lessa.
Durante o período de 1967 a 1999 integrou o conjunto “Demônios da Garoa”. Em 1972 leva o ritmo das escolas de samba para os estabelecimentos de ensino, e com esta inovação cria uma grande polêmica na imprensa nacional.

Gravações Solo

"Osvaldinho da Cuíca e Grupo Vai-Vai"
   Marcus Pereira 1974 - LP

"Velhos Amigos"
   compacto simples/Continental 1983

"Preto no Branco" 
  Som da Gente 1984 - LP

"A História do Samba Paulista I"
  CPC UMES 1999 - CD

Ederaldo Gentil

Salvador, 7 de setembro de 1947

Ederaldo Gentil Pereira, mais conhecido como Ederaldo Gentil, é um cantor e compositor brasileiro. Ainda criança começou a compor sambas para escolas de samba da Bahia. Venceu um concurso municipal em 1967 com a música “Rio de Lágrimas”, e torna-se compositor da escola de samba Tororó.

Seu reconhecimento fora da Bahia ocorre devido a alguns artistas consagrados como Leny Andrade, Jair Rodrigues, Alcione, Maria Bethânia e Eliana Pittmam gravarem suas músicas. Já morando em São Paulo, a partir de 1973, grava 03 LPs solo. Por motivo de doença, abandona a carreira em 1990. Seu parceiro, Edil Pacheco, produziu recentemente, em 1999, o disco “Pérolas Finas”, fazendo uma retrospectiva da carreira de Ederaldo. O disco conta com participações de Carlinhos Brown, Elza Soares, Beth Carvalho e Gilberto Gil.

Discografia

IDENTIDADE
  Independente – 1973

SAMBA, CANTO LIVRE DE UM POVO
   Chantecler – 1975

PEQUENINO
   Chantecler – 1976

Tributo

• PÉROLAS FINAS
  Indepentendente - 1999

INSTRUMENTOS DE PERCUSSÃO

Curiosidades sobre instrumentos de percussão, são poucas as fotos destes instrumentos pioneiros de percussão. Pierre Verger captou várias cenas curiosas, como exemplo o Tamborim quadrado.

A Fundação Pierre Verger - http://culturadigital.br/construindoosom/?tag=couro-de-gato  - abriga o acervo de fotografias do etnólogo Pierre Verger, além dos livros publicados por ele e da sua vasta biblioteca particular.

Pierre Verger registrou, com sua lente, imagens da vida e da cultura de grupos étnicos que não eram tidos, até então, como protótipos de beleza ou de interesse estético, se encaradas através da lente das civilizações ocidentais. Sua fotografia, fixada em negativos, (preto e branco) eterniza momentos do cotidiano de pessoas e grupos, estabelecendo, sobre o seu lazer, seu trabalho ou sua religiosidade, um novo “olhar”, o olhar de Oju Obá, os olhos do rei Xangô.

(Todas as baquetas de madeira utilizadas por este grupo de batuqueiros são de tamanho grande, mais aproximadas das baquetas dos surdos de barrica em voga na época, em nada semelhantes às típicas baquetas de tamborim.)

A esse respeito, vejamos o que diz o Mestre Marçal:
…”O couro na época influenciou também a sonoridade, pois ressoa ao contrário do nylon, usado hoje. Mudou também a baqueta que era menor que um palmo e fino, na grossura de um cigarro, que produziu um som grave. Hoje, a baqueta é comprida, mede 30 a 50 cm de comprimento, dependendo do fabricante, e o nylon que substituiu o bambu é flexível que resulta num som de estalo. Com a flexibilidade transformou-se também a maneira de tocar. Antigamente, tocava-se o tamborim de lado, a batida se encaixando no conjunto do restante da bateria. Havia improvisação, enquanto hoje o arranjo é padronizado.”

(“O criador na tradição oral: a linguagem do tamborim na escola de samba – Dra. Marianne Zeh XVI Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música (ANPPOM) Brasília – 2006)

Não por acaso, encontramos, entre essas imagens, o registro de instrumentos musicais de percussão, alguns dos quais caídos em desuso, e mesmo no esquecimento, quer pela ausência do modelo original ou do seu registro visual/sonoro, quer pela escassez ou pelo desaparecimento de recursos empregados na sua confecção.
A foto de Verger nos fornece subsídios valiosos para tentar reconstituir estes objetos na sua forma original, além de demonstrar com toda clareza a forma do seu uso: não há fotos isoladas de instrumentos, registrados de forma estática, senão objetos sonoros em ação.

Os instrumentos mostrados nestas fotografias, eram invariavelmente encourados com pele de origem animal, fossem de cobra, de boi ou de cabras, ou bodes.

Tal constatação provocou a reflexão sobre o uso dos recursos naturais e as diversas questões ecológicas implícitas, cuja compreensão suscita a necessidade de desenvolver uma consciência ambiental.
“Segundo Mestre Marçal, por exemplo, o tamborim tinha couro de boi, não couro de gato, como afirmado por muitos sambistas. Para Marçal, no entanto, isto seria um mito. No seu depoimento ao pesquisador Carlos Didier disse a respeito: "- Couro de gato não tem resistência, é igual a papo de galinha. É um mito que existe no samba e que não é verdade. [...] Sempre foi couro de boi, que naquela época se chamava de raspa.
Pierre Verger fotografou o tamborim quadrado em pelo menos três lugares importantes: Recife, Rio de Janeiro e Salvador, deixando o registro da morfologia desse instrumento, do tipo de couro utilizado e até da baqueta, elementos estes que sofreram transformações radicais, a partir da fabricação industrial do tamborim.

(Um exemplar do pandeiro com pele de cobra, com mais de vinte anos porém em bom estado de conservação, excelente qualidade sonora e estética do instrumento.)

Vídeo - tocando Pandeiro com couro de cobra - http://www.youtube.com/watch?v=WBAkW3k8YYI

Tia Ciata - "A Mãe do Samba"

"TIA CIATA", MÃE DO SAMBA...

" O samba é o mais belo documento da vida e da alma do povo brasileiro". (Rosane Volpatto-extraído do Texto SAMBA, SABOR DO BRASIL) Um grande abraço ao nosso patrono PAULINHO DA VIOLA. (Veja mais na página História do Samba)
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Pelo Fim da Ordem dos Músicos do Brasil !

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Paulinho da Viola- Entrevistado pelo programa Memória do Rádio

PAULINHO DA VIOLA - O Nosso Patrono

O Verso "Quando penso no futuro não esqueço meu passado" é creditado por Paulinho da Viola, em "Meu tempo é hoje", como sintese de sua obra, de sua vida. Recolhido de sua "Dança da Solidão"(72). (Pedro Alexandre Sanches - Folh aOn Line - 11/04/2003)

"Eu não costumo brigar com o tempo" afirma Paulinho da Viola (em 09/12/2004 - Folha On line)

"A música de Paulinho da Viola representa um universo particular dentro da cultura brasileira. Experimentá-la é reconhecer que a identidade cultural brasileira não é única, há sempre algo mais." (extraído do site de Paulinho da Viola)

A Obra de Paulinho da Viola já foi tema de livros, trabalhos acadêmicos, gravações e documentário. Em fase de finalizações, se encontra um Documentário realizado pela VideoFilmes com direção de Isabel Jaguaribe e roteiro de Zuenir Ventura. (Confira mais na página - PAULINHO DA VIOLA - Vídeos e muito mais)

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AGENDA CULTURAL DA PERIFERIA

A Ação Educativa é uma organização não governamental sem fins lucrativos que desenvolve a apóia projetos voltados para a educação e juventude, por meio de pesquisas, formação, assessoria e produção de informações. Mantém em sua sede o espaço de Cultura e Mobilização Social, aberto ao público, que promove regularmente atividades de formação, intercâmbio e difusão cultural. Vale a pena acessar : http://www.acaoeducativa.org.br/

Confira As Comunidades de SAMBA divulgadas.
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Samba do Sino comemora primeiro ano na noite de 15/12/2009 com história do samba

O Movimento Cultural Samba do Sino comemerou 01 ano de vida no último dia 15/12/2009, e presenteia os moradores da cidade com histórias que contam a evolução do samba no Brasil. A proposta nasceu com a idéia de resgatar esse pedaço da cultura popular. (Vanessa Coelho - Guarulhos Web 15/12/2009)